Espaço do Diário do Minho

Do isolamento ao encontro
16 Mai 2019
Silva Araújo

1. Celebra-se em 02 de junho o LIII Dia Mundial das Comunicações Sociais. A mensagem do Papa Francisco é um convite a que usemos bem a Internet. Que «sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos». «Com esta Mensagem, escreve, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão».

2. Lembra o Santo Padre que a Internet é um bem, desde que bem utilizada, e previne relativamente a riscos que podem surgir:

«Hoje, escreve, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a Internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.

É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos».

3. Podendo levar ao encontro das pessoas, a Internet tem contribuído para o seu isolamento. Não é raro verificar que, mesmo em família, até à hora das refeições, o mau uso da Internet contribui para o isolamento em relação a pessoas que se encontram fisicamente ao lado.

Escreve o Papa:

«A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens “eremitas sociais”, que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar».

4. O facto de, como cristãos, agirmos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo «ajuda-nos não a ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas». A tomar consciência de pertencermos a uma comunidade. A viver em comunhão e a investir nas relações interpessoais. A reconhecer no outro não um rival mas um companheiro de viagem.

5. A Internet pode ser usada como forma de contribuir para uma maior aproximação entre as pessoas.

Neste sentido, escreve o Papa:

«O uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro.

Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão.

Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso.

Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso.

Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso».



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