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Diabetes Gestacional, porquê rastrear?
10 Mai 2019
Maria José Monteiro

A Diabetes Gestacional consiste numa intolerância à glicose (popularmente conhecida como açúcar no sangue) que é diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez. É um dos problemas mais comuns, afetando cerca de 7% das grávidas, de todo o tipo de proveniências e com todo o tipo de hábitos alimentares e de atividade física. Existem alguns fatores de risco conhecidos como: a idade materna avançada (afetando 15% das grávidas com mais de 40 anos), a obesidade, e antecedentes de Diabetes Gestacional ou familiares com Diabetes Mellitus.

A gravidez funciona como um teste, uma vez que algumas das hormonas produzidas pela placenta dificultam a ação da insulina (hormona que controla o açúcar no sangue). A Diabetes Gestacional surge quando o organismo não é capaz de aumentar a produção de insulina, resultando em níveis elevados de glicose no sangue.

O rastreio da Diabetes Gestacional é feito a todas as grávidas em dois momentos: no início da gravidez através da avaliação dos níveis de glicemia em jejum e, se este for negativo, entre as 24 e as 28 semanas de gestação, através de uma prova de tolerância à glicose oral, que consiste na avaliação do valor de glicose em jejum e 1 a 2 horas após a ingestão de uma bebida açucarada.

É importante reconhecer e identificar as grávidas com Diabetes Gestacional, uma vez que esta se associa a alguns riscos para a gravidez, nomeadamente: bebés demasiado grandes, o que aumenta o risco de problemas no trabalho de parto e a possibilidade de cesariana, excesso de líquido amniótico, parto prematuro (antes das 37 semanas), pré-eclampsia, hipoglicemias (baixa de açúcar) no recém-nascido nas primeiras horas de vida e icterícia no recém-nascido. A Diabetes Gestacional também se associa a um risco aumentado de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular para a mãe e para o filho na idade adulta.

Após o diagnóstico, todas as grávidas com Diabetes Gestacional devem ser orientadas para uma consulta hospitalar, onde serão acompanhadas por uma equipa que inclui Enfermeiro, Obstetra, Endocrinologista e Nutricionista. Todos com um papel fundamental e com um objetivo em comum, conseguir o controlo dos valores de glicose para a gravidez decorrer normalmente com bebés e mães saudáveis.

A partir do diagnóstico a grávida inicia a pesquisa dos níveis de glicose no sangue ao longo do dia através da picada do dedo (um glicómetro é fornecido a cada grávida na consulta hospitalar, estes aparelhos são atualmente de uso fácil e intuitivo).

Na maioria dos casos o controlo é conseguido através de um plano alimentar e exercício físico diário adaptado à gravidez (como caminhadas), o apoio da Nutricionista é importante para conseguir ajustar o plano ao estilo de vida e preferências de cada mulher que assegure o aporte de nutrientes necessários ao desenvolvimento do feto.

Quando o controlo não se consegue apenas com estas medidas, pode ser necessário iniciar medicação com insulina ou com comprimidos (antidiabéticos orais). Se for necessário a administração de insulina, a própria grávida pode fazê-lo ou um familiar pode aprender e ajudar na administração.

Com um bom controlo dos valores de glicose e seguindo as recomendações da equipa que as vigia, a maioria das grávidas tem um bebé saudável sem intercorrências durante a gestação ou parto.

Após o parto, se foi feita medicação durante a gravidez , na maioria dos casos esta é suspensa. No entanto, pelo risco aumentado de Diabetes Mellitus tipo 2, todas as mulheres com Diabetes Gestacional devem realizar uma nova prova de tolerância a glicose oral 6 a 8 semanas após o parto. Mesmo quando esta última prova é negativa, é fundamental lembrar a importância de adoção de estilos de vida saudáveis, com alimentação regrada e prática de exercício físico regular.



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