Espaço do Diário do Minho

O logro em que gira quem apenas conhece critérios meramente materialistas
9 Mai 2019
Artur Gonçalves Fernandes

Ao eticismo e ao espiritualismo, que procuram promover a axiologia de valores cívicos, morais e transcendentes, opõe-se o materialismo que opta por princípios meramente terrenos. O materialismo, irmanado com o agnosticismo ou com o ateísmo, esquece as dimensões mais importantes do homem. Ele já demonstrou, de maneira a não deixar margem para qualquer dúvida, que não consegue proteger e garantir um integral bem-estar das comunidades. O homem é um ser superior, dotado de faculdades tão nobres que, quando esquecemos algumas delas, o seu desenvolvimento fica truncado e a sua verdadeira felicidade nunca é atingida nem usufruída devidamente. Andam muito enganados todos aqueles governos que têm uma visão curta e enviesada da natureza humana.

Quem se limita a promover apenas o homem na sua vivência terrena não cumpre as suas reais obrigações nem atinge os objetivos que a natureza humana exige. Quem se cinge à dimensão meramente materialista na função governativa ou na atividade gestora tem uma perceção muito redutora do que é exigível pelas aptidões humanas. Quem se orienta por critérios terrenos nunca consegue resolver os problemas verdadeiramente humanos. Assim, as opções de escolha dos colaboradores vão, muitas vezes, desembocar em razões de parentalidade ou de pura clientela. O edifício social acaba por ter alicerces de barro que, ao menor obstáculo ou contrariedade, abana por todos os lados, acabando por ruir como um baralho de cartas. Até na resolução das grandes catástrofes que, muitas vezes, assolam as sociedades, fica-se sempre longe do desejável ou do que é mais justo. Muitos responsáveis desconhecem que as crises, quando profunda e adequadamente analisadas e geridas, têm sempre uma solução razoável, podendo também servir para alertar as pessoas para os valores éticos, morais e transcendentes que, tantas vezes, são secundarizados nos períodos de prosperidade. Temos obrigação de desenvolver estes valores e de os pôr em prática nas relações humanas em todos os momentos da vida. Se o homem não esquecesse a sua dimensão espiritual seria muito mais honesto, mais justo, mais humano e nada ganancioso. Então, o mundo seria menos desigual e as crises económicas e sociais menos traumatizantes.

O mundo está a tornar-se excessivamente complexo e as pessoas não se sentem felizes. Predomina a melancolia, a indignação, a ira, a insatisfação, o cinismo e a corrupção generalizada, porque falta a educação, a honestidade, a justiça, a compreensão e a solidariedade humana, que foram submersas por um espírito materialista cego, maldoso, perverso e desumano. A grande falha que se entranhou na sociedade moderna é a ausência de uma educação integral e harmoniosa que se nota na família, na escola e em muitas instituições sociais. A sociedade moderna proporciona, de facto, uma cultura geral variada, tecnicamente rica, mas muito limitada em relação às potencialidades humanas. Não há governos verdadeiramente competentes nem sociedades integral e harmoniosamente desenvolvidas se falharem os grandes valores humanos.



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