Espaço do Diário do Minho

Páscoa da Ressurreição: Cristo vence a morte
21 Abr 2019
P. Rui Rosas da Silva

O contraste entre a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a sua previsão do que, daí a pouco, Lhe havia de acontecer é total e absoluto. Este Jesus, vitoriado e recebido em triunfo, alguns dias depois será escarnecido e torturado até à morte na Cruz

Efectivamente, Jesus diz aos seus discípulos com toda a convicção: “Vós sabeis que daqui a dois dias será celebrada a Páscoa e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado” (Mt 26, 2).

Os apóstolos não O entendem e continuam a pensar que esse dito não é realizável. S. Pedro, sabemo-lo, prontifica-se a ir com o Mestre até à morte, sendo advertido claramente de que O iria negar antes de um galo cantar. Alguns outros discutem entre si quem seria o mais importante, não parecendo nada preocupados com a advertência do Senhor sobre a sua crucifixão.

O aviso de Jesus não pretende alarmá-los, mas se fala desse tema é para que os discípulos não sejam ainda mais surpreendidos quando presenciarem os maus-tratos, as humilhações e a perfeita aceitação de tantas insolências e dores, que vão ser o horizonte negro da Paixão. Ficam atónitos, desaparecem de cena e, ao mesmo tempo, a sua desorientação leva-os a esquecer tudo o que Jesus tinha profetizado.

Se esta previsão lhes pareceu estranha e opaca de sentido, muito mais outra, a esta ligada, que é a sua Ressurreição. “E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem padecesse muito (…) fosse morto, e (…) ressuscitasse depois de tês dias (Mc 8, 31-32). S. Pedro não deve ter entendido a observação sobre a ressurreição, porque, “tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo (IBIDEM), certamente pelo choque causado sobre os seus tormentos. Quer evitá-los, mas Jesus fala-lhe com clareza, exclamando “Retira-te daqui, Satanás, que não aprecias as coisas de Deus, mas sim a dos homens” (Mc. 8 33).

O Senhor faz afirmações contundentes, muito específicas e concretas, perante os discípulos incapazes de as assimilar. E, no entanto, trata-se de realidades que vão acontecer – sucederam!-, ainda que, naqueles momentos, para os discípulos fossem imperceptíveis.

Tudo ocorre como Jesus previu. Não houve uma falha, um descaminho, uma insinuação mais ou menos vaga ou tão nefelibática, que se pudesse entender como uma espécie de metáfora cheia de possibilidades ou variações interpretativas.

Jesus falava de acontecimentos próximos absolutamente reais. A ressurreição transforma-se no cerne da sua vitória, porque a condenação à morte tinha por finalidade pôr termo definitivo, por parte dos chefes israelitas, a uma espécie de intruso blasfemo e incómodo. Por certo, fizera grandes milagres, embora se  tornasse altamente perigoso para a sobrevivência da religião oficial dos judeus. Por isso, importava quanto antes fazê-Lo desaparecer. Só a sua morte seria eficaz para que esta tempestade religiosa acabasse de vez.

Jesus prediz não só que vai morrer, mas que depois ressuscitará. E foi o que sucedeu. A morte não O pôs de parte definitivamente, porque Ele ressuscitou, cumprindo, como sempre, um compromisso totalmente incompreendido pelos seus seguidores mais próximos. Jesus, que é Senhor de todas as coisas, entre estas, da vida e da morte, não foi eliminado pela condenação na Cruz. Aí morreu verdadeiramente, tal como havia previsto. Voltou, porém, à vida – ressuscitou – como o anunciara de um modo tão explícito aos seus discípulos. E é a sua Ressurreição que festejamos na Páscoa.



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