Espaço do Diário do Minho

O centenário do Diário do Minho
15 Abr 2019
Narciso Machado

Diário do Minho (DM), jornal de inspiração cristã, foi fundado em 15 de abril de 1919, num contexto muito desfavorável para a Igreja católica. O regime republicano da altura tinha como ponto fulcral o combate à influência religiosa na vida social, com manifestações violentas contra clericalismo, ou seja, a influência do clero na vida pública e, dum modo especial, contra os jesuítas, considerados os maiores responsáveis dos “defeitos” nacionais, reclamando a proibição absoluta das ordens e congregações religiosas. 

Ao quadro legal de imprensa da altura, associava-se um acentuado progresso técnico do sistema de impressão dos jornais, com o emergir da linotipia e das rotativas, causando o aparecimento de uma verdadeira aluvião de jornais políticos, de inspiração cristã e noticiosos.

 Apesar deste condicionalismo, a linha editorial do Diário do Minho sempre soube adotar uma atitude de construção positiva e de reflexão crítica perante os acontecimentos, norteando-se por valores cristãos.

Quando hoje se apontam como caraterísticas particulares do estilo jornalístico a simplicidade, a concisão (dizer o máximo no menor número de palavras) e a vivacidade (captar o sentido humano da realidade) esses atributos encontram-se nas crónicas do DM. Assim como a qualidade, atualidade e diversidade, aliadas ao elevado prestígio de todos os autores que colaboraram com DM, tornaram-se uma referência nas temáticas abordadas. 

Merece também destaque a Secção Cultural, publicada às quartas feiras, cujos textos tem merecido da parte dos leitores considerável acolhimento, sendo que alguns deles adquirem o jornal para guardar os textos aí publicados.  É que a cultura, sendo um processo de aproximação valorativa, aperfeiçoa o próprio ser humano.

Atendendo a que os tempos não tem sido nada favoraveis à imprensa escrita, o DM soube adaptar-se às novas tecnologias de comunicação, publicando-se também em forma digital.

Tudo isto justifica o facto de, atualmente, o DM liderar a imprensa regional, sendo o jornal mais lido do Distrito de Braga. Com as novas instalações, inauguradas em abril de 2017, a Arquidiocese deu um novo impulso ao jornal, contando com o trabalho excelente, tanto de jornalistas, como de briosos trabalhadores da Gráfica e da parte administrativo, como pude verificar nas várias ocasiões em que tive necessidade de recorrer à Gráfica, para publicação dos meus livros. O jornalismo, como serviço público que é, deve possuir aquela dose indispensável de virtudes sociais que lhe permitam ter, na sociedade, um papel simultaneamente crítico e construtivo. E os “media” devem funcionar como um dos contrapesos que equilibram o sistema político, em complemento do poder legislativo, executivo e judicial, desempenhando um papel importante na evolução das mentalidades, das culturas e na correção de comportamentos desviantes na atividade política.

Uma vez que estamos na presença de um jornal de inspiração cristã, dir-se-á que os textos sagrados dão uma orientação precisa à comunicação social e aos jornalistas, para o exercício da sua nobre missão de informar com verdade:

             

“Sobe a um monte alto, arauto de Sião.

Grita com voz forte, arauto de Jerusalém;

Levanta a voz, sem receio, e diz às sociedades de Judá:

Aí está o Vosso Deus “ (Isaías, 40,9)

 * * *

 “Ninguém acende uma candeia para cobrir com um vaso

 ou para a esconder debaixo da cama; mas coloca-a no candelabro,

 para que vejam a luz aqueles que entram. Porque não há coisa 

 oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba 

 e venha à luz” (Lc 8,16-17).

Perante uma imprensa cada vez mais sensacionalista, espera-se que o DM, com base em fontes de informação fidedignas, continue no caminho de uma informação séria, verdadeira e objetiva, contribuindo para uma correta formação da opinião pública.

 PS. Parabéns e um abraço a D. Jorge Ortiga pelo seu apoio ao jornal, bem como ao seu Diretor, Damião A. Gonçalves Pereira, pelo êxito à frente do Diário do Minho.

Parabéns ao Diário do Minho pelos seus 100 anos de existência e um bem haja a todos os seus leitores, pela sua quota parte, no sucesso do jornal.



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