Espaço do Diário do Minho

«Aditivemo-nos» a Cristo!
9 Abr 2019
João António Pinheiro Teixeira

  1. Hoje em dia, não há praticamente ninguém que não recorra a alguma espécie de «aditivo». Desde os aditivos alimentares até aos tecnológicos, todos nós usamos substâncias para melhorar a qualidade, o sabor, o rendimento e, nessa medida, o bem-estar.

  2. Com o passar do tempo, já não imaginamos um produto sem algum dos seus «aditivos». Para muitos, é inconcebível ingerir comida sem sal ou tomar café sem açúcar.

  3. Do mesmo modo, um telemóvel já não serve unicamente para fazer – e receber – chamadas. Vai servindo também – e cada vez mais – para jogar, para fotografar e sobretudo para aceder à internet com a vastíssima gama de funcionalidades que ela permite usar e gerir.

  4. Quem é que, na hora que passa, compra um telemóvel só para fazer chamadas? Já não falta quem, ao chegar a um restaurante, peça – antes de pedir a ementa – a «palavra-passe» do local.

  5. Isto significa que o «aditivo» se incorpora de tal maneira que já não nos vemos sem ele. É como se a nossa personalidade já não prescindisse destes instrumentos. Já não são vistos como meros adereços, mas como elementos estruturantes do nosso ser.

  6. É por isso que a sua presença em nós tem implicações cada vez mais ontológicas. O que somos – e não apenas o que fazemos – está umbilicalmente condicionado por estes meios.

  7. Ninguém se sente confortável nesta situação, mas quem se mostra suficientemente determinado para se demarcar dela? Quem não está conectado é praticamente como se não existisse.

  8. Porque não nos havemos de «aditivar» verdadeiramente a Cristo? Afinal, desde o Baptismo já não somos só nós; é Cristo em nós (cf. Gál, 2, 20). Mas é isso que se vê? É isso que se sente? Cristo não reduz o humano; pelo contrário, dilata infinitamente o humano. Aliás, os grandes tornaram-se maiores quando fizeram de Cristo a sua (permanente) inspiração.

  9. É sabido que o genial Bach encimava as suas partituras com as iniciais «J.J.», encerrando-as com a inscrição «S.D.G». Com «J.J.» fazia uma prece: «Jesu, juva», isto é, «Jesus, ajuda-me». E com «S.D.G.» deixava bem claro: «Soli Deo Gloria», ou seja, «só a Deus glória».

  10. Além de merecer o cognome de «quinto evangelista», Johann Sebastian Bach inundou a posteridade com peças de incomparáveis atributos. Não tenhamos medo de nos «aditivar» a Cristo. Deixemo-nos conduzir por Ele. Nunca perderemos quando nos «perdermos» de amor por Cristo!



Mais de João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira - 15 Out 2019

Ser cristão é estar sempre em missão. Em todo o tempo e em toda a parte, é para a missão que tem de estar (sempre) voltada a nossa acção. Esta é a maior urgência. Só que, muitas vezes, parecemos «cristãos em sonolência». Andamos muito acomodados, em estado de letargia. E nem sequer reparamos que, em […]

João António Pinheiro Teixeira - 8 Out 2019

É óbvio que as férias fazem bem. Mas, pela amostra, as férias deste ano deixaram muita gente com um ar não muito bom. Parece que as pessoas regressaram indispostas, insatisfeitas, com tendência para um discurso sombrio e o rosto fechado. Tem sido mesmo frequente – neste período pós-estival – deparar com pessoas agressivas, pouco polidas, […]

João António Pinheiro Teixeira - 1 Out 2019

Quando Jesus nos manda em missão, diz-nos para «anunciar o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). A ilação imediata que nos sobrevém é que temos de mobilizar os lábios. Efectivamente, o anúncio faz-se com os lábios. Mas não só. Tanto mais que o anúncio dos lábios tem de corresponder ao testemunho da vida. O anúncio […]


Scroll Up