Fotografia: Avelino Lima

Ministro-astronauta espanhol preocupado com os baixos salários dos investigadores

Pedro Duque realçou a importância do INL, em Braga, e os desafios da ciência e inovação

Alexandre Gonzaga
8 Abr 2019

Um astronauta que virou ministro da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha. Pedro Duque foi o primeiro espanhol a viajar para o espaço, em 1998, na missão STS-95, a bordo do Vaivém Espacial, durante a qual supervisionou os módulos experimentais da Estação Espacial Internacional (ESA). Em 2003, regressou ao espaço a bordo da Soyuz TMA-3.

À margem do “ERC Summit 2019”, a decorrer até amanhã no Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL), admitiu que a sua nomeação foi «algo repentina».

«O parlamento espanhol aprovou uma moção de censura [ao governo de Mariano Rajoy, no dia 1 de junho de 2018] na sexta-feira e, no sábado de manhã, estava a assumir o cargo», no governo de Pedro Sánchez.
Antes disso, ocupou, até 2011, um cargo na direção da empresa Deimos Imaging (opera um sistema comercial de observação da Terra) e deu aulas na Escuela Técnica Superior de Ingenieros Aeronaúticos em Madrid.
Simpático, abordou a atual situação da área da ciência e tecnologia no país vizinho.

«Tivemos uma crise e reduzimos bastante o investimento nesta área nos últimos 7 anos, sendo que o nosso maior desafio é a estabilização», admitiu o responsável, que apesar deste aspeto, realçou a qualidade dos cientistas espanhóis.

«Temos muitos cientistas bons, mas também temos contratos pouco estáveis, com salários baixos. Estamos num momento em que é preciso reforçar o investimento público na área da ciência e proporcionar-lhes capacidade para se estabilizarem e prosseguirem com a investigação», afirmou o ministro da Ciência, Inovação e Universidades de Espanha.

O responsável explicou que «existe um fosso, uma distância entre a boa ciência que se faz em Espanha e a sua transferência para as empresas, para o tecido produtivo», num «segundo desafio» que é comum aos países ibéricos.

Em relação à dinâmica do INL, e, de forma particular, à primeira cimeira luso-espanhola da área científica, Pedro Duque disse que «é bom que se reconheça Braga e a Península Ibérica como um sítio que favorece a colaboração de muitos cientistas e empresas de muitos países», pois, «o desenvolvimento deste centro será muito positivo nesta área da Física Aplicada, atraindo a atenção do resto do mundo para a grande qualidade do nossos cientistas e universidades».

Anualmente, a Espanha investe 2.500 milhões de euros no seu programa de ciência e tecnologia. «As empresas privadas investem outro tanto, mas, ainda estamos num nível baixo – 1,25% do PIB – de investimento nesta área. Outros países europeus já ultrapassaram os 2%», destacou Pedro Duque.





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