Espaço do Diário do Minho

Conjuntivite na criança

22 Mar 2019
Ricardo Dourado Leite

Existe nos olhos uma membrana muito fina e transparente, que reveste a superfície do olho e a parte interior das pálpebras, protegendo-os de substâncias estranhas. Por vezes esta membrana – de nome conjuntiva – irrita-se ou inflama devido a uma reação alérgica ou a uma infeção. Quando isto acontece, os vasos sanguíneos dilatam-se, ficando os olhos mais vermelhos, e surgem sintomas como comichão, lacrimejo e secreção.

O problema, ao qual se dá o nome de conjuntivite, é bastante comum em idade pediátrica. Pode afetar os dois olhos em simultâneo e, embora não costume deixar sequelas, pode tornar-se bastante incómodo para as crianças. Saiba como se manifestam os vários tipos de conjuntivite, quais os tratamentos e que cuidados deve adotar para prevenir o aparecimento da conjuntivite.

Que tipos de conjuntivite existem?

Podemos distinguir as conjuntivites de acordo com a sua origem. Na criança, a conjuntivite infeciosa é a mais comum. Pode ocorrer uma infeção por bactérias (mais frequente) ou vírus que entram em contacto com os olhos. Pode ser contagiosa, transmitindo-se através do contacto direto com pessoas afetadas, da partilha de almofadas ou objetos de higiene pessoal ou até mesmo da água da piscina. 

A conjuntivite alérgica ocorre após a exposição a alergénios como pólenes (sendo, por isso, particularmente comum na primavera), pelos de animais ou ácaros do pó da casa. Costuma afetar os dois olhos, mas não é contagiosa. Habitualmente ocorre de forma sazonal embora possa ocorrer durante todo o ano, principalmente em casos mais graves.

Como se manifesta a conjuntivite?

Devemos suspeitar de conjuntivite na presença de olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas, comichão ou ardência, intolerância à luz, sensação de areias nos olhos e secreções.

A conjuntivite bacteriana costuma provocar secreções mais espessas, amareladas e abundantes do que a conjuntivite vírica (na qual as secreções são mais esbranquiçadas) ou alérgica (na qual as secreções são, na generalidade dos casos, claras).

Como se trata a conjuntivite?

As conjuntivites podem ser autolimitadas (ou seja, têm uma duração específica e limitada e podem não necessitar de tratamento) mas normalmente é instituído tratamento, que depende da sua causa. Podem ser receitados antibióticos em colírio ou pomada (nas conjuntivites bacterianas), anti-histamínicos em colírio e/ou orais (nas conjuntivites alérgicas) e lágrimas artificiais para aliviar os sintomas. 

Na presença de uma conjuntivite devem existir alguns cuidados específicos para não agravar ou propagar a infeção, tais como: lavar regularmente as pálpebras, lavar as mãos antes e depois de aplicar colírios ou pomadas na criança, aplicar compressas frias para diminuir o inchaço, evitar a exposição direta à luz ou ao sol e evitar a exposição a alergénios ou outros agentes potencialmente irritantes (como o fumo do tabaco).

Como se previne a conjuntivite?

Embora não seja fácil prevenir a conjuntivite, algumas práticas básicas de higiene podem diminuir o risco de a contrair e/ou contagiar a criança: lavar as mãos com frequência, não partilhar toalhas de rosto ou almofadas e evitar contacto com pessoas que sabem que têm conjuntivite.

Não se esqueça que o tratamento eficaz da conjuntivite depende da sua causa. Se suspeita que a sua criança tem uma conjuntivite recorra a um médico oftalmologista. Ele poderá confirmar o diagnóstico, ao mesmo tempo que exclui outras causas de olho vermelho, e recomendará o tratamento mais adequado.



Mais de Ricardo Dourado Leite


Scroll Up