Espaço do Diário do Minho

Santa Apolónia
20 Mar 2019
Manuel Fonseca

Santa Apolónia de Alexandria foi uma virgem mártir cristã, vítima de tortura num período de forte revolta contra os cristãos na cidade de Alexandria, no Egito.
A sua história foi contada por São Dionísio, bispo de Alexandria, em cartas dirigidas ao bispo Fábio de Antioquia.

Apolónia, que já teria uma idade avançada e uma vida digna de admiração, foi capturada e obrigada a renunciar à fé cristã. Como se negou corajosamente a obedecer e a seguir deuses pagãos, foi torturada em praça pública.

Os seus dentes foram todos arrancados e quebrados com pedras e a sua cara foi partida com duras pancadas. Por essa razão Santa Apolónia foi escolhida como santa padroeira das dores de dentes e dos dentistas, sendo representada geralmente com um torniquete a segurar um dente.

Os torturadores ergueram uma pilha de madeira e ameaçaram queimar Apolónia viva se esta se recusasse a blasfemar Cristo ou a invocar deuses pagãos. Apolónia pediu um minuto de liberdade para refletir e atirou-se ela mesma para a fogueira, morrendo queimada, quando decorria o ano de 249.

Santo Agostinho refere que na mesma ocasião do martírio desta Santa, outras virgens repetiram a mesma atitude. Afirma ele:

 “Apolónia e um grupo inteiro de jovens mártires não esperaram pela morte com a qual haviam sido ameaçadas, talvez para preservar sua castidade ou então porque viram-se confrontadas com a alternativa de renunciar à sua fé ou serem assassinadas, voluntariamente abraçaram a morte que havia sido preparada para elas, uma atitude que perigosamente se aproxima do suicídio, segundo alguns. De Civitate Dei (I:26).”

O mesmo refere que a atitude de se imolar na fogueira pode ter sido inspirada pelo Espírito Santo.

Santa Apolónia tornou-se numa santa popular na Europa, principalmente na Alemanha, Inglaterra, França e Itália. Apesar de a maior parte das suas relíquias se encontrarem preservadas na igreja de Santa Apolónia em Roma, outras partes das suas relíquias foram espalhadas pela Europa, incluindo Portugal, pelo tesouro da Sé do Porto e pelo Convento de Santa Apolónia de Lisboa.

Há uma publicação intitulada O Livro dos Santos, com uma edição muito rica pela qualidade do papel, pelas cores perfeitas e belas, sobretudo nas imagens dos santos publicados, nomeadamente de Santa Apolónia. Entre outras afirmações declara: “Santa Apolónia nasceu no século 3.º, em Alexandria, onde se juntou a um grupo de virgens que se dedicavam a praticar fielmente o Cristianismo. Atingiu um estatuto relativamente elevado dentro da hierarquia eclesiástica, teve acesso às traduções dos textos sagrados e pregou a palavra de Deus durante três décadas. Mas a sua devoção e a sua brilhante oratória despertaram o ódio dos pagãos, que, no ano de 249, a condenaram à morte”.

Concluímos a partir destes dados biográficos que se tratava duma santa muito culta e apostólica, que não vivia o cristianismo só para si, mas irradiava-o à sua volta. A sua fé em Jesus Cristo era viva e eficaz, apesar do ambiente de guerra contra os cristãos promovido pelo Império Romano.

Santa Apolónia é padroeira dos odontólogos. O dia litúrgico da sua comemoração é 9 de fevereiro.

Oração (do citado livro):

Santa Apolónia, intercede por nós, para que não cedamos ao paganismo atual que nos arrasta e nos quer seduzir. Que o teu exemplo e o dos outros mártires nos dê força para sermos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Peço-te que nos protejas dos que duvidam da palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo; que nos guies neste mundo ateu para que não nos percamos na escuridão; aproxima o conhecimento divino das gentes pecaminosas e, por favor, conduz-nos à verdadeira felicidade que só o Senhor dos Céus concede. Amém.



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