Espaço do Diário do Minho

Construir cultura no grupo dst
20 Mar 2019
Cândido Oliveira Martins

No nosso tecido empresarial rareiam os exemplos de preocupações culturais. Com a desculpa da crise, cancelam-se alguns dos poucos apoios. Para muitos, a Cultura não gera lucros, sendo um adereço supérfluo e inútil. E nem a lei do mecenato cultural incentiva realmente as entidades a investimentos expressivos. 

Porém, há vozes recorrentes a defender o lugar fundacional da Cultura e das Humanidades, do cirurgião João Lobo Antunes à filósofa Martha Nussbaum, entre tantos outros. A saúde das democracias e a inovação das empresas não podem ignorar a criatividade e o espírito crítico gerado no vasto mundo cultural e nos especializados saberes humanísticos.

É justamente esta opção que norteia o dst Group, sediado em Braga, constituído por diversas empresas e com obras à escala mundial. Com cerca de 1500 trabalhadores, singulariza-se ao defender uma filosofia assente nos pilares da criatividade e da imaginação para o mundo empresarial, acrescentando valor aos negócios

Estas competências transversais potenciam-se através da Cultura, das Artes e da Literatura, sendo nucleares ao nível da produtividade e da competitividade. Dispondo de uma biblioteca, o Grupo tem uma singular política de promoção do livro e da leitura. Os quadros superiores são desafiados a ler um livro quinzenalmente e a apresentá-lo em sessões colectivas, fomentando-se o debate crítico. 

Ao mesmo tempo, patrocina desde 1995 o Grande Prémio de Literatura dst, promovendo a literatura portuguesa actual. Acaba de criar o Prémio de Literatura dstangola/Camões. Há 25 anos que é o principal mecenas da Feira do Livro de Braga. Apoia o teatro, quer a Companhia de Teatro de Braga, quer os amadores da Nova Comédia Bracarense. 

Estabelece ainda importantes protocolos com universidades da região (Universidade do Minho e Universidade Católica). Patrocina a edição de autores literários, dos clássicos aos contemporâneos. Cria uma jovem galeria de arte – zet gallery –, vocacionada para a exposição e venda de artistas contemporâneos. 

Efetivamente, na nova sociedade do conhecimento, o investimento cultural assegura amplo retorno. Neste sentido, a Cultura integra, de facto, o ADN deste Grupo empresarial. Investindo em actividades culturais 1,2 milhões de euros por ano, afirma assim a sua assumida responsabilidade cultural de forma exemplar.  

 



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