Espaço do Diário do Minho

As eleições no PSD de Braga e o seu sucesso no concelho
20 Mar 2019
Joaquim Barbosa

Se recuarmos até aos anos noventa do século passado, designadamente após o surgimento político de Ricardo Rio, verificamos que o PSD em Braga se encontra unido desde então, tendo acabado os inúmeros conflitos da década anterior.

Os militantes desse tempo recordarão, com certeza, as guerras internas dos anos oitenta entre “balsemistas e cavaquistas” ou as guerras decorrentes das várias escolhas para a candidatura à Câmara de Braga que dilaceravam o PSD.

Com o surgimento de Ricardo Rio, primeiro como líder do PSD no concelho e depois como candidato à Câmara, tudo mudou tendo ocorrido uma pacificação interna, após alguns focos de contestação inicial que Ricardo Rio facilmente venceu; todo o partido esteve em uníssono e fortemente empenhado a favor de todas as suas candidaturas. 

Na disputa eleitoral desta sexta-feira falhou completamente, como demonstrarei, o ensaio de divisão interna motivada apenas pelo apoio ao Presidente nacional do Partido que, aliás, é unânime na seção de Braga. 

Para começar, a figura política de Hugo Soares não deixou ninguém indiferente e foi a personagem central nestas eleições. É uma das tais pessoas cujas caraterísticas pessoais, políticas e de liderança fizeram recair, desde muito novo, importantes responsabilidades políticas como, entre outras, presidente nacional da JSD, presidente da Secção de Braga do PSD, destacado deputado e líder parlamentar de grande qualidade. 

No plano autárquico de Braga – para ficarmos apenas por aqui – tudo seria diferente e com certeza com piores resultados, sem a lucidez e a capacidade de intervenção política de Hugo Soares. 

Ricardo Rio reconheceu todo o trabalho anterior de Hugo Soares e a sua equipe quando declarou publicamente, sem hesitar: “… há que dar continuidade ao trabalho político feito pela atual concelhia, liderada por Hugo Soares”.

Quanto a Ricardo Rio e ao PSD, foi muito importante para a grande qualidade dos seus mandatos como vereador da oposição bem como de presidente de Câmara, o facto de o PSD se ter apresentado sempre unido e não terem sido as várias candidaturas à Presidência nacional do PSD a quebrar essa união.  

Desde que Ricardo Rio surgiu na política bracarense, como tesoureiro, indicado por João Granja na comissão política de Miguel Macedo da qual nós os três fazíamos parte, já foram presidentes ou candidatos a presidente do Partido, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Passos Coelho, Aguiar Branco, Paulo Rangel, Rui Rio, entre outros.

O que seria do projeto político do PSD para Braga se houvesse alguma forte divisão interna, devido às diversas escolhas que cada militante teve, legitimamente e ao longo dos tempos, para a presidência do Partido! Provavelmente Ricardo Rio nunca teria sido presidente de Câmara ou teria sido com muita mais dificuldade. 

O PSD de Braga, desde Ricardo Rio, teve a sabedoria de nunca se dividir internamente em função das diversas opções para a liderança nacional do PSD, apesar de ativamente participadas. 

Sinal disso mesmo é o facto de também comporem a lista vencedora, encabeçada por Hugo Soares, os mais representativos militantes de Rui Rio aquando da disputa interna, além de ter sido mandatário desta lista Ricardo Rio, muito próximo do presidente nacional do Partido. 

Os militantes de Braga ao terem eleito, há cerca de um ano, Rui Rio para presidente do PSD e agora Hugo Soares para dirigir o PSD na cidade, demonstraram expressamente não admitirem nenhuma divisão interna, motivados também, aliás, pelos últimos excelentes resultados eleitorais autárquicos.

Os militantes de Braga demonstraram, assim, imensa sabedoria e maturidade política.

Afinal de contas a lista alternativa nunca criticou a estratégia e ação política de Braga – tendo-se limitado a um comunicado 4 dias antes das eleições – e resumiu toda a sua existência ao apoio ao presidente do Partido, fracamente redutor para o nosso concelho e algo também nunca posto em causa pela lista vencedora e pelos militantes de Braga.  

Novos e grandes desafios, internos e externos, se apresentam a esta nova Comissão Política mas, embora a questão nacional seja importante também para o PSD concelhio e exija total empenho, o seu maior desafio político é precisamente Braga e a qualidade de vida das suas gentes.  



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