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«Participar nisto é um gosto e um brio pessoal»

Testemunhos

João da Silva Oliveira
19 Mar 2019

 

Quase todos os bracarenses conhecem o farricoco que veste de roxo na procissão dos Passos, organizada pela Irmandade de Santa Cruz, mas nem todos lhe conhecem o rosto. João da Silva Oliveira é o nome que se “esconde” por detrás da túnica e que carrega consigo um trompete dourado.

 E não se fica pela procissão de Domingo de Ramos, participando também nas de Quinta e Sexta-feira Santas (Ecce Homo e do Enterro do Senhor, respetivamente), bem como na trasladação do Senhor dos Passos e Via-Sacra. Em tempos também chegou a participar no cortejo bíblico “Vós sereis o meu povo” (ou da Burrinha), que se realiza na Quarta-feira Santa à noite.

A sua ligação às celebrações da Semana Santa começou ainda era uma criança, quando frequentava a Santa Infância. Naquela altura, integrava os cortejos do Sábado de Aleluia. «Sempre participei, excetuando os sete meses e meio que estive em Angola», explicou o bracarense, atualmente com 70 anos de idade.

Para João da Silva Oliveira, esta participação tão ativa constitui «um gosto» e «um brio pessoal». «Nunca fui remunerado, nem como farricoco nem como porta-lanternas. É com gosto que faço isto», vincou.

E é com orgulho que encarna o personagem nos cortejos. De tal forma que há amigos e familiares que o tentam distrair ao longo do percurso, mas sempre sem sucesso. «Alguns até fazem apostas para ver se me fazem rir mas eu nunca me rio nas procissões», vincou o responsável.

A vestimenta que usa foi comprada com o seu dinheiro e feita à medida por uma costureira, «para não ter de andar sempre a pedir». «Mas quando não a puder usar mais, entrego-a a Santa Cruz», acrescentou.





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