Espaço do Diário do Minho

O “mau”, o “péssimo” e o “ pirata”
18 Mar 2019
Narciso Mendes

Por mais explicações que o Ministro das Finanças e o Primeiro-ministro de Portugal deem, uma coisa é certa, os portugueses não andam sossegados com a banca do nosso país. É que cada vez que é aberto num banco um buraco, quem tem as suas economias depositadas em cima dele receia o trambolhão que possam dar, como sucedeu com os lesados do falecido BES, ou “banco mau”, deixando para trás um rasto de injustiças e de reclamações por satisfazer daqueles que foram seus clientes, a fim de darem lugar ao “banco bom”. Um péssimo exemplo de fiabilidade e segurança que deixam as pessoas desoladas e, sobretudo, prejudicadas. Pois quando um banco chega ao ponto a que chegou o BES, passa-nos a ideia de que não há reguladores nem auditores que se prezem de o ser. Estão lá só para ganhar o seu, pouco se importando se o que as instituições fazem é legal ou ilegítimo.

Ora, quando o Dr. António Costa vem atirar as culpas para o anterior Governo, dizendo que se trata do “banco mau” e “banco péssimo”, esquece-se de que muita gente boa do seu partido também andou pelo BES à cata de uns milhões para os seus bolsos, constituindo-se, com Ricardo Salgado – o último banqueiro português – coniventes com a sua ruinosa gestão. E ao classificar o Novo Banco (NB) como sendo péssimo, por que razão não exigiu uma auditoria, ou inquérito, durante estes quatro anos? Pois é, não se preocupou dado ter no fundo de resolução 3,89 mil milhões de euros para lhe acudir. Uma bela prenda para a Lone Star, que o comprou, a qual não pensa esperar os oito anos – anteriormente previstos – para esgotar esses fundos pelo que faz já uma jogada de antecipação ao pedir 1149 milhões (MM€) ao que se diz imprescindíveis para que o NB possa avançar na sua recapitalização.

Serão 30, então, os anos que o estado terá de esperar para o reembolso de um valor a rondar os 7 MM€ que os empréstimos poderão vir a atingir aguardando, mais uma vez, que os supervisores e a comissão de acompanhamento não se desleixem nesta missão a que terão de se devotar, uma vez que muitos dos contribuintes – do PSD e do PS – para o descalabro financeiro no NB já cá não estarão para assumirem as responsabilidades a que se comprometeram, na outra e nesta nova fase. É que, afinal, ao sermos todos enganados de que o dinheiro para cobrir os tóxicos do NB não sai dos nossos impostos, começa a ser uma história muito mal contada ao sabermos, à partida, que nos andam a tirar na saúde, na educação, na justiça, etc., o que também é uma péssima opção deste Governo que nos vai deixando à mercê dos efeitos das greves intermináveis e das suas repercussões.

Depois, nunca as autoridades portuguesas tiveram tão à mão um instrumento humano para ajudar no combate à corrupção. Trata-se de um verdadeiro “pirata”, danado para a informática, capaz de detetar – à distância – aquilo que dentro do próprio país ninguém conseguiu fazê-lo até aos dias de hoje. Não há dúvida que o rapaz, Rui Pinto, é um “génio” que poderia ser aproveitado – em lugar de andarem a persegui-lo, criminalmente – para desvendar as verdades do material, em sua posse, que põe em causa os bons (?) nomes de alguma gente que anda a minar não só o mundo do futebol como, também, a própria nação portuguesa.

Talvez que, em vez de andarem a pensar em detê-lo, fosse muito mais profícuo convidá-lo a voltar, com todas as garantias de liberdade, ouvi-lo nas matérias que denuncia e pô-lo a cooperar na luta contra a corrupção, juntamente com o Ministério Público, Judiciária e Tribunais. Quem sabe se o cibernauta não daria um ótimo supervisor capaz de detetar a “ladroeira” que vai em algumas instituições, nacionais, sacando informação útil capaz de descobrir as manobras que vão sendo feitas para que alguns enriqueçam á custa de todos nós. De certeza, que os crimes de que o Rui é acusado à beira de outros – cometidos pela tal boa gente (?) – nada teriam de gravidade, desde que fosse prestado esse enorme serviço ao país.



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