Espaço do Diário do Minho

Que posso fazer?
15 Mar 2019
Isabel Vasco Costa

Após o discurso que o Papa Francisco pronunciou no encerramento do último Sínodo, há duas atitudes possíveis: passar ao lado ou perceber que é este o mundo onde eu vivo e, por isso, o tema me diz respeito.

O tema é escabroso; trata-se de uma realidade cada vez mais presente em todos os ambientes: o da pedofilia. O Papa, talvez a pessoa mais bem informada em todo o mundo, assume responsabilidades, toma atitudes corajosas, justas e exemplares e, sobretudo, elucida-nos a vários níveis. É normal que eu e cada um de nós nos sintamos revoltados, desanimados e incapazes de agir. É normal, já o dissemos, mas não é justo. Eu tenho de reagir; eu quero responsabilizar-me naquilo que me corresponde. E já. 

Começarei por focar-me em três pontos:

1.º) Olhar em volta e para dentro

2.º) Prestar maior atenção à família

3.º) Aceitar o compromisso

1.º) Olhar em volta. É cada vez mais difícil acompanhar e, sobretudo, escolher as notícias importantes. No entanto, eu percebo que as pessoas com quem convivo e os locais que frequento me proporcionam as informações mais importantes para os meus interesses. É para essas que devo olhar e isso é viável. Assim tenha eu a vontade e o valor de focar a minha atenção nos assuntos da minha responsabilidade e não perder tempo com  notícias… fúteis. Olhar para dentro. A única pessoa que manda em mim sou eu. Eu posso obedecer ou desobedecer ao meu patrão, mas sempre porque quero; obedecer ou desobedecer é um ato da minha total responsabilidade porque sou livre e devo responsabilizar-me pelo que faço. Convém que eu preste atenção às minhas forças e capacidades. Todos somos únicos e diferentes, mas eu tenho obrigação de pensar para conhecer a minha realidade e as minhas capacidades para fazer o que posso no tempo certo.

2.º) Atenção à Família. As estatísticas confirmam que os casos de pedofilia se concentram preferentemente no âmbito familiar, de vizinhos ou amigos íntimos. Eu posso estar mais presente nos encontros dos meus filhos com os primos (é mesmo importante), com os amigos ( as mães, sobretudo, podem pedir ajuda a outras mães para as ajudar nas festas das crianças, pois têm maior sensibilidade para perceber o que se está a passar; os pais podem aparecer no final para dar apoio). Devo ser eu a explicar aos meus filhos as origens da vida, o que é o amor humano (instintivo, sim, mas voluntário porque somos pessoas e não um animais, “Não se vai para a cama três dias após o primeiro encontro, não se sai dela cinquenta anos depois” (li algures), a sua grandeza é proveniente de uma lei divina: crescei e multiplicai-vos. Devo responsabilizar-me por a cumprir eu e ajudar, os que de mim dependem, a cumpri-la. Como cidadão, eu devo votar nos partidos que garantem a proteção da vida (desde o início da vida até à morte natural), o respeito pelos deveres familiares (educação dos filhos, liberdade de escolha dos estabelecimentos de ensino, do médico de família, do tipo e nível de educação…), etc. Eu devo denunciar os delitos extremos, embora o dever me doa. É a dor que acompanha a lealdade, a virtude de ser veraz e amigo.

3. º) Não ter medo ao compromisso, ou seja, querer mesmo fazer tudo quanto esteja ao meu alcance para alcançar a verdade e o bem. Eu posso e devo respeitar o meu cônjuge mesmo antes de o conhecer. Como? Protegendo o meu coração. Está na minha mão evitar ambientes, leituras, filmes, amizades… que podem desenvolver o meu instinto animal e fazer-me desanimar de sonhar em grande: uma família bem constituída onde todos se ajudam mutuamente. Eu posso compreender que não devo namorar até ter as condições necessárias, mas ter automóvel, televisão, máquina de lavar… não são condições necessárias; e menos ainda uma lua-de-mel nas Caraíbas. A primeira e verdadeira condição é eu ser capaz de amar e tornar os outros felizes – cônjuge, filhos, sogros, cunhados…felizes. Sou eu quem deve ajudar a corrigir os defeitos dos meus filhos, chamar-lhes a atenção, ensiná-los a distinguir o bem do mal e a não magoar nem humilhar os outros. Sendo mulher, eu posso procurar vestir-me e comportar-me de modo elegante e discreto, sem tomar atitudes provocadoras.

Eu posso reconhecer o pouco que sou e admirar-me, afinal, com o muito que posso fazer. Se até eu consigo escrever algumas ideias, embora incompletas, para delas me servir como recordatório …



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