Espaço do Diário do Minho

Na sequência da última reunião do Vaticano
10 Mar 2019
p. rui rosas da silva

Depois de alguns dias em que a Igreja esteve na mira da comunicação social, começam os tempos a acalmar um pouco. Certamente que quem tem a consciência recta, deve admirar o esforço e a vontade com que a Igreja, fundada por Cristo como instrumento de salvação, procurou encontrar as melhores vias para tratar de alguns assuntos espinhosos, com a clareza e com a humildade de quem aprendeu de Cristo a perdoar, mas também, da mesma fonte, a chamar a atenção e a admoestar quem, num passado mais recente ou mais afastado, cometeu faltas graves – gravíssimas! –, que são objecto de escândalo. Não é necessário mencioná-las com mais pormenor, porque toda a gente sabe a matéria de que estamos a tratar.

A Igreja procurou fazer aquilo que devia. Como numa família cristã, quando há eventos pouco abonatórios de algum dos seus membros, deve estudar-se o assunto com calma, valentia e serenidade, recorrendo a Deus, pela oração e pela penitência, como fiéis de Jesus, para que os ajude a resolver da melhor maneira o mal cometido. E também, tanto quanto for possível, a evitar no futuro a repetição de casos semelhantes muito graves, como os que estão em jogo,

É óbvio que são situações muito dolorosas – se quisermos, feíssimas! –, das quais não nos agrada que sejam faladas na praça pública, mas que temos consciência de que nos tocam de modo irrecusável e familiar. Se um irmão meu se deixou embrenhar num ambiente lamacento, pela mais sórdida via do pecado, não posso deixar de sentir vergonha. E, se sou humilde, peço a Deus que ele se arrependa sinceramente e que me prive a mim, pecador como ele, com a sua graça, de não ser arrastado para atoleiros tão nojentos.

A Igreja enfrentou-os com coragem e desejos de rectificação. Algumas medidas tomadas já, apontam-nos esse objectivo. Mas não é rigorosamente isto o que pode depreender-se pelas notícias que os “media”, com algumas excepções, nos transmitiram. 

Dir-se-ia que o que estava em jogo nas suas informações pouco ou nada tinha a ver com a vontade da Igreja encarar um problema complexo, duro e difícil, que reconheceu existir (não, graças a Deus, com a generalidade e a exuberância com que os equacionava um número significativo de jornalistas), mas apenas com o escândalo e a atracção sensacionalista, que lhes fornecia matéria-prima de audiências ou de leitores. Não estava tanto em jogo, portanto, transmitir os fundamentos do que se passava, mas acirrar quem acorria às suas comunicações com um alvo atractivo, que lhe permitia penetrar num mundo pouco conhecido, de que ele – o porta-voz dos “media” – era o revelador indiscutível e desassombrado. Às vezes, manifestavam uma surpreendente ignorância e superficialidade, com observações desajeitadas, como, por exemplo, apontando que havia também mulheres que participavam na reunião do Vaticano, mas que não pertenciam ao clero. Provavelmente, esta afirmação foi uma gralha de que o seu autor não teve responsabilidade.

O importante é o que se observou. Perante um assunto delicado que exige um conduta decidida e firme, a Igreja, com vontade de o sanar, tomou as medidas que achou estarem ao seu alcance com desassombro, prudência e, simultaneamente, com a discrição e a solicitude que ele requeria. Temos de reconhecer a coragem de quem se propôs realizar este acontecimento tão relevante. E, à frente de todos, a figura do Papa Francisco sobressai de uma maneira especial, pelo que todos os fiéis da Igreja lhe devem estar muitíssimo gratos.



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