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Guimarães acolheu o II Domingo SALICUS e refletiu sobre a sacralidade da música

José Carlos Miranda proferiu a palestra “Uma grande exigência da música na liturgia: há-de ser santa na forma e no conteúdo”.

Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga
2 Mar 2019

Realizou-se no dia 24 de fevereiro de 2019, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, o II Domingo SALICUS: iniciativa organizada pelo Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga, pela Equipa Arciprestal de Liturgia e Ministérios do Arciprestado de Guimarães/Vizela, nomeadamente pelo Departamento de Música Sacra e a Revista SALICUS. Foi uma tarde memorável.

A sessão foi aberta com uma palavra de saudação a todos os presentes pelo responsável do Departamento de Música Sacra do Arciprestado de Guimarães/Vizela, Martinho Fernandes, e pelo presidente do Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga, padre Juvenal Dinis.

Este, após uma palavra de boas-vindas a todos os presentes, apresentou as linhas da missão do Departamento Arquidiocesano de Música Sacra, na Arquidiocese de Braga.

Este departamento tem como missão: «Delinear estratégias e promover iniciativas como esta, no sentido de, ajudar a proporcionar às celebrações litúrgicas a qualidade e dignidade que as mesmas exigem, preparando os intervenientes na liturgia: organistas, salmistas, cantores e diretores dos coros»; «acompanhar quanto se pretende executar em concertos ou celebrações especiais» e «estimular o uso dos órgãos de tubos, onde existam, promovendo o seu uso habitual». E, ainda, publicar regularmente a Revista e Separata SALICUS. 

Com este Domingo SALICUS pretendeu-se dar continuidade aos desafios lançados pelo Papa Francisco no Congresso sobre a Música Sacra realizado em Roma: A renovação da música sacra requer saber «contemplar, adorar e acolher» a ação divina, «percecionar-lhe o sentido, graças, em particular, ao silêncio religioso e à musicalidade da linguagem» com que Deus fala»… «A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos dar o sentido da glória de Deus, da sua beleza, da sua santidade que nos envolve como uma nuvem luminosa» [Cf. www.snpcultura.org].

Os trabalhos prosseguiram com o padre Daniel Neves, membro do Departamento Arquidiocesano de Música Sacra, a apresentar o palestrante da tarde, o José Carlos de Miranda, professor na Universidade Católica e no Seminário Conciliar, em Braga, que nos brindou com uma conferência sobre “Uma grande exigência da música na liturgia: há-se ser santa na forma e no conteúdo”. 

Na primeira parte da intervenção, o José Carlos de Miranda abordou a “sacralidade” da forma, salientando que «nem tudo o que é boa música deve estar ao serviço do altar. A música litúrgica deve ser santa. A exigência é do altar, mas está ao alcance de todos, cantar».

E frisou ainda mais: «a música na liturgia tem de ser música e santa: santa quanto ao conteúdo e à forma».

Equívocos litúrgicos

Alertou ainda os ouvintes para «alguns equívocos que, muitas vezes, acontecem em celebrações de casamento e funeral. Quem vai à Igreja é para “beber noutra fonte”». Por isso, «a música tem de ajudar a isso mesmo, ser santa quanto à forma e ao conteúdo».  Dando alguns exemplos do que às vezes se passa certos casamentos, o conferencista partilhou que «alguns noivos escolhem algumas músicas que lhes dizem muito, por exemplo, quando se encontraram pela primeira vez no namoro, mas essa não é a música mais adequada para o momento da celebração do sacramento. Quem vai à Igreja é para “beber noutra fonte”. Essas músicas que as cantem no convívio, não na celebração». E lembrou que, «assim como nós ao olhar um tronco de uma árvore não vemos logo uma escultura, só conseguimos ver a obra de arte depois de o artista a ter esculpido, ou pintado no caso da pintura, o mesmo se passa na música litúrgica».

Grupos de Aldão e Mesão Frio

Terminada esta exposição, sobre “a música litúrgica: santa quanto à forma”, fomos presenteados com um breve momento musical, pelas vozes do Grupo Coral de Aldão e Mesão Frio – com a partilha dos cânticos: “Louvai, ao Senhor, com tudo o que vive e respira”, de Manuel Simões, da NRMS 2 (1.ª edição) e “Não desprezeis o domingo”, texto e melodia de Hermenegildo Faria e harmonização e orquestração de Eurico Carrapatoso, da Separata SALICUS 3-4 — e do Grupo Coral 2 de São Miguel de Vizela – com a partilha dos cânticos: “Cantemos um salmo de glória”, texto de Mário Branco e música e harmonização de Azevedo Oliveira, NRMS 84 e “Sete alegrias de Nossa Senhora”, texto e melodia de Hermenegildo Faria e arranjo de Eurico Carrapatoso, da revista SALICUS 1.

«Coro não é tudo na missa»

Na segunda parte da tarde, o José Carlos de Miranda refletiu sobre o tema “A música litúrgica: santa quanto ao conteúdo”.

«A música litúrgica está ao serviço da palavra. O órgão e os outros instrumentos surgem para acompanhar o canto». O palestrante salientou que «o primeiro grau de participação cantado são as partes do ordinário da missa: os diversos diálogos do presidente da celebração com a assembleia celebrante e o Kyrie, Glória, Sanctus e Agnus Dei». As antífonas de entrada e comunhão podem ser feitas pelo coro. O momento da apresentação dos dons pode ser também um bom momento para o coro intervir a solo.

Alertou o conferencista: «o ideal é que o coro não seja tudo na missa. É necessária uma articulação entre coro e assembleia. A assembleia deve também participar». E concluiu: «a música litúrgica deve ser santa porque destinada e inspirada por Deus: santa se for poesia feita por grandes poetas, grandes pastores da Igreja e bons compositores. Se for só porque eu gosto muito, não». 

Grupos de Gondar e Candoso

Finalmente, tivemos a graça de ouvir mais um momento musical, desta vez pelas vozes do Grupo Coral de Gondar e
S. Martinho de Candoso – com a partilha dos cânticos: «Eu vim para que tenham vida», de Fernandes da Silva, NRMS 70 e «Com lâmpadas acesas», cuja melodia é de Hermenegildo Faria e a harmonização de Eurico Carrapatoso – e do Grupo Capella Jubilemos de São João de Ponte – com a partilha dos cânticos: «Senhora, nós Vos louvamos» de Manuel Faria, NRMS 33-34 e o «Hino a São Frutuoso», com melodia e harmonização de Hermenegildo Faria. 

Por fim, o presidente do Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga deixou uma palavra de gratidão: ao conferencista da tarde, aos grupos corais que prepararam os momentos musicais, à Equipa Arciprestal de Liturgia e Ministérios do Arciprestado de Guimarães / Vizela – ao Departamento de Música Sacra Arciprestal, na pessoa do padre Henrique Ribeiro e do Martinho Fernandes. Gratidão que estendeu à paróquia de Nossa Senhora da Conceição e ao seu pároco, Padre Queirós, e a todos os presentes, bem como ao organista Daniel Ribeiro. E salientou a presença de muita juventude nos coros, desde logo os seus maestros. Bem hajam! Precisamos de mais jovens a integrar os coros paroquiais e ajudar, com a sua sabedoria e as suas vozes, a enriquecer as celebrações litúrgicas.

 





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