Espaço do Diário do Minho

Orçamento Participativo Aciclavél!

23 Fev 2019
Arnaldo Pires

Nos últimos anos, surgiu uma ferramenta de participação popular, democrática, que pretende uma maior aproximação dos munícipes às decisões camarárias e resolução de variados problemas das cidades.

É interessante verificar a representatividade, nestas propostas, de ideias e projetos associados a novas vias cicláveis, ou de outras medidas de proteção, para um ciclar mais seguro.

Contudo, no orçamento participativo de Braga, por questões técnicas, ou orçamentais, nenhuma das propostas chegou à fase de votação. Estará já previsto um plano de infraestruturas cicláveis pela cidade, que ainda não terá sido executado, e todas as propostas colidiram, com tal plano, já estabelecido, em papel!

A crescente utilização de bicicletas e o número crescente de propostas para vias cicláveis, demonstram que este tema é de importância emergente. Num futuro muito breve, será necessário reformular a mobilidade da cidade, materializando os alertas e propostas já realizados sobre este assunto.

Quando não existem condições de utilização segura da bicicleta, em determinados locais, e as alternativas não são viáveis, não se pode afirmar que exista liberdade de escolha, de meio de transporte. O acesso ao hospital da cidade é um exemplo.

Com pilaretes no meio das vias, se as bicicletas circularem na estrada e os carros cumprirem com a distância de segurança, o trânsito fica caótico ou a vida do ciclista em risco.

Talvez nem tudo exija grande alçada orçamental, apenas arrojadas tomadas de decisão, técnico-políticas. Políticas de estímulo à utilização de meios de transporte ativo podem facilitar a mobilidade dos cidadãos, na cidade. Certos trajetos podem ser realizados, sem a utilização de automóvel, e substituídos por transportes públicos, bicicleta ou caminhada.

Ao contrário do que se pensa, as políticas de estímulo à utilização de transporte ativo promovem o comércio local, para além de uma qualidade de vida diferente, menor nível de ruído e poluição do ar.

As propostas cicláveis demonstraram vontades, participação cívica e democrática. Propostas, mesmo que possam não ser tecnicamente perfeitas, terão impacto junto deste, e de próximos executivos camarários, certamente. Demonstram, também, que os cidadãos pretendem uma mudança de mobilidade, para uma mobilidade sustentável, saudável e futurista.

Pela positividade da mudança, e pela democratização do transporte ativo, usemos menos o automóvel e facilitemos a deslocação segura, de quem se transporta ativamente.



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