Espaço do Diário do Minho

Violência
21 Fev 2019
Silva Araújo

1. Este país dito de brandos costumes é de vez em quando sobressaltado com notícias de violência.

É a violência doméstica (já vai em onze o número de mulheres assassinadas desde o princípio do ano), é a violência no namoro, é a violência nos recintos desportivos, é a violência nas ruas…

Violência física e violência verbal. Violência onde por vezes se notam requintes de grande malvadez e autêntica selvajaria.

2. A violência é reflexo do clima que se gerou, onde não há princípios nem valores, mas interesses e conveniências. Onde se atua como se tudo fosse permitido e valesse apenas a lei do mais forte.

É reflexo da falta de respeito pela dignidade e pelos direitos dos outros. Falta de respeito que é sintoma de uma grande e vergonhosa falta de educação.

A violência reflete a perda do valor da vida. Da própria (em alguns casos) e da dos outros. No entanto, há que dizer bem alto que todos têm direito à vida, desde a conceção no ventre materno até à morte natural. São criminosos todos os atos que atentam contra esse direito, desde o aborto provocado à eutanásia.

Violência é também o abandono dos idosos, a criação de ambientes que se não coadunam com o respeito exigido pela dignidade humana, a gritaria e o insulto.

3. O problema da violência – seja de que espécie de violência se trate – deve preocupar todos os indivíduos conscientes da sua dignidade e da dignidade dos outros, muito particularmente os que têm responsabilidades educativas.

4. O respeito pelos outros começa na Família, que certas ideologias teimam em continuar a destruir.

A Família – a verdadeira Família – é a primeira escola de sociabilidade. É aí que, com o exemplo e com a palavra, se aprende não apenas a coexistir mas a conviver. A aceitar o outro como ser igual e diferente. A saber falar ao outro sem recurso à gritaria ou ao palavrão. A saber aceitar a diversidade de opiniões e a não impor a sua pessoal maneira de pensar.

5. Depois da Família vem a Escola. Família e Escola devem sentir-se comprometidas na consecução de um objetivo comum: a formação integral do ser humano. Família e Escola que o bem comum exige atuem de mãos dadas e não de costas voltadas.

Respeitando a opinião contrária, discordo de quantos afirmam que a educação é com a Família e o ensino, com a Escola.

É verdade que os pais são os primeiros e principais educadores, mas não entendo um professor que não seja, também, um educador.

Infelizmente, por defeitos que alguns alunos levam de casa ou da rua, acontece de haver professores que se confrontam com um ambiente em que mal podem ensinar e muito menos educar. Não me é lícito generalizar, mas existe.

6. Adulterou-se a ideia de liberdade identificando-a, em certos casos, com a libertinagem.

É urgente educar as pessoas para o uso do que deve ser a verdadeira liberdade. Liberdade que é direito de todos e não privilégio de alguns. Liberdade que tem justos limites. Liberdade que não confere a ninguém o direito de ser malcriado.

7. Há comportamentos que não deveriam ser tolerados. Para isso é necessário ter a coragem de fazer regressar a autoridade. Uma autoridade que se respeite a si mesma e se faça respeitar. Uma autoridade que não tenha medo de se impor e de levar as pessoas, sempre que possível pela persuasão, a respeitarem-se e a respeitarem. Uma autoridade que não abuse do poder mas não deixe de o usar sempre que as circunstâncias o exigirem. Uma autoridade que tenha ela mesma quem a defenda da agressividade de pessoas para quem vale tudo.

Quando o responsável por um ato criminoso é aclamado herói e quem, no cumprimento do seu dever, atua em defesa do bem comum é tido por criminoso, estamos entendidos.



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