Espaço do Diário do Minho

O automóvel
11 Fev 2019
Paulo Fafe

Houve alarme no mundo automóvel com as declarações do ministro do ambiente, Matos Fernandes, quando anunciou, a curto prazo, a desvalorização dos veículos a gasóleo. Dizem os ambientalistas, que os veículos a combustão são inimigos do ambiente.

Estamos interessados como qualquer cidadão nesta discussão. Temos estado a notar que há, no mercado automóvel, um certo frenesim em vender a preços cada vez mais baixos e com ofertas de equipamentos cada vez mais tentadores, os veículos de gasóleo em armazém: automóveis, camiões, furgonetas.

E, naturalmente, lá vieram os porquês: será porque as marcas já colocaram os veículos a gasóleo em fim de linha de montagem? Se assim não fosse, diz-me a reflexão, não se compreenderia por que razão eles estão a investir e em grande, na investigação de motores elétricos ou a hidrogénio.

Não faria qualquer sentido económico estar a investir num produto que não venderia num futuro, mais ou menos próximo; a investigação em baterias com maior independência de carga como fonte de energia, é um facto comprovado. Basta ver o que se passa na fórmula E, para podermos concluir que os automóveis movidos a eletricidade já estão no presente.

Quanto próximo assim? Não sei profetizar, mas arrisco a dizer que tão cedo quanto permita a evolução dos elétricos da fórmula E. A evolução nestes veículos de corrida é tão acelerada que, as marcas e construtores de veículos comuns, estão tão ansiosos quanto nós, em pô-los no mercado. Quem lá chegar primeiro será o milionário do novo negócio de veículos elétricos.

Quem compra hoje um veículo a gasóleo, novo, zero quilómetros como agora se diz, está a comprar um modelo ultrapassado. O que se move a gasolina será o senhor que se segue. Depois, as ofertas fantásticas que algumas marcas, mesmo as mais reputadas, estão a dar na troca dos carros usados, parece-nos a “esmola que mata o pobre”. Como diz o povo, “quando a esmola é grande o pobre desconfia”. Será que esta “generosidade” só aparece porque os veículos de combustão estão em vias de extinção?

É o que transparece quando vejo marcas a oferecer cinco, ou mesmo oito mil euros pela troca do “seu carro velho”!! Isto era costume fazer-se quando estava para vir um novo modelo. E este novo modelo não será o veículo elétrico? Vender rápido e em deflação, significa o quê? Será que nos vão dizer, «compre um e leve dois»? Assim pode não ser, mas também assim pode ser. Mas uma coisa não deixa dúvidas: quem vai comprar carro novo, a gasóleo, tem de ter a consciência que está a comprar o automóvel sem valorização comercial de troca..

É preciso um tempo de transição; Isto é claro e impõe-se por si. Vai haver uma situação mista em que circulam, simultaneamente, os veículos de combustão e os elétricos; mas parece-me que se o vizinho comprar um elétrico, a minha família não vai querer ficar atrás.

A sociedade é quem determina a velocidade das mudanças. Quando a sociedade assume uma certa maneira de viver, a moda está lançada. Nos elétricos há ainda problemas técnicos a resolver, preços de mercado a estabelecer, postos de recarga a implementar, financiamentos a disponibilizar, tudo isto ou mais que isto, mas a substituição de veículos de combustão pelos de energia elétrica, é irreversível. Porque a sociedade de competição assim o vai determinar, assim se fará a substituição. Como velho semeador sei que posso não vir a colher os frutos das sementes que ora vejo deitar à terra. Tenho saudades do que ainda não há. Mas é a vida, como se usa dizer.



Mais de Paulo Fafe

Paulo Fafe - 29 Jul 2019

A ser verdade o que se leu em alguma comunicação social, e não houve desmentido, o Tribunal Administrativo Fiscal de Braga obrigou a Câmara Municipal de Barcelos e reintegrar uma funcionária que havia sido despedida. A Câmara colocou-a junto do WC com porta para urinóis em vez de lhe atribuir o mesmo lugar ou lugar […]

Paulo Fafe - 22 Jul 2019

Conheci em tempos idos um homem que emprestava dinheiro a juros a quem, por qualquer circunstância da vida, necessitava dele para pagar remédios, operações, penso para o gado e outras coisas que o acaso obrigava a despesas extra. Ganhava a vida na usura da necessidade alheia. Era um “banco” rural de último recurso e ele […]

Paulo Fafe - 15 Jul 2019

Custa-me muito ver as filas de pessoas que precisam de renovar a carta de condução, o cartão de cidadão ou satisfazer os requisitos da emigração. Alguns vão para lá de madrugada para apanhar uma senha de atendimento. Uma situação de mundo atrasado que a tecnologia ainda não resolveu apesar das promessas nesse sentido. Mas custa-me […]


Scroll Up