Fotografia: Nelson Garrido

“Arquiteturas para uma nova liturgia” é o tema do VI Congresso Internacional no Porto

Evento sobre Arquitetura Religiosa Contemporânea realiza-se entre os dias 10 e 12 de outubro. O cónego bracarense Joaquim Félix de Carvalho compõe o painel de palestrantes.

Alexandre Gonzaga
5 Fev 2019

O Porto recebe, de 10 a 12 de outubro de 2019, o VI Congresso Internacional de Arquitetura Religiosa Contemporânea, dedicado ao tema “Arquiteturas para uma nova liturgia. Intervenções no património religioso depois do Concílio Vaticano II”.

«No final dos anos 1960, iniciou-se um processo de renovação das igrejas católicas, que procurou responder às modificações litúrgicas implementadas durante o Concílio Vaticano II (1962-1965). Cinquenta anos mais tarde, este processo permanece problemático em edifícios com elevado valor patrimonial ou histórico», lembra no site do evento o OARC – Observatório de Arquitectura Religiosa Contemporânea, que sustenta que «a renovação dos locais de culto – dos seus presbitérios, mas também dos batistérios e outros espaços sacramentais – poucas vezes tem sido tratada pela literatura científica, apesar da sua enorme importância para os edifícios antigos. Pelo que nos perguntamos se realmente existiram regras gerais sobre o assunto – ou, eventualmente, sugestões ou recomendações – que serviram para orientar os diferentes atores envolvidos.»

Conceitos pós-conciliares

«Talvez seja conveniente distinguir entre vários conceitos que surgiram depois do Concílio e que agora perderam algum protagonismo, como adaptação (reforma provisória) ou adequação litúrgica (reforma definitiva), intervenção reversível ou definitiva, intervenção comum ou extraordinária», explicam os organizadores do congresso.

Além disso, recordam a evolução da legislação, no que ao direito litúrgico diz respeito, e do pensamento das próprias comunidades: «De igual modo, a evolução das normas litúrgicas pós-conciliares, bem como as mudanças de opinião das comunidades locais que utilizavam cada espaço, foram incorporando fatores adicionais de incerteza. Nestas ações encontram-se sempre dicotomias que provocam tensões muitas vezes irresolúveis: entre o novo e o velho, entre o que deve ser conservado e o que a comunidade exige, entre a utilização turística e os acontecimentos quotidianos, entre o provisório e o definitivo, entre o urbano e o rural, etc. É, por isso, essencial conhecer os critérios em que se apoiam as intervenções, sejam eles legais (eclesiásticos ou civis), arquitetónicos, artísticos, litúrgicos ou pastorais».

Por isso, é importante alargar o conhecimento em relação ao que se fez de significativo nesta área, após a realização do Concílio Vaticano II, em Portugal, durante o Movimento de Renovação de Arte Religiosa (MRAR) e em tantos outros países.

Vozes autorizadas

«Nalguns países surgiram vozes autorizadas que fomentaram experiências paradigmáticas, criaram comissões de estudo, publicaram manuais de referência ou criticaram excessos. Muitos deles não receberam reconhecimento público suficiente, ou não foi divulgada a sua contribuição para o debate. Do ponto de vista operativo, é estimulante rever as arquiteturas mais relevantes a nível internacional, aquelas em que um diálogo aberto e sereno entre comitentes, arquitetos, utilizadores, artistas e responsáveis pelo património gerou obras de grande impacto», recorda o OARC.

Por conseguinte, são formuladas algumas questões, que poderão alargar  a reflexão durante as sessões e palestras do congresso: «Que referências poderão ser usadas num momento como o nosso, dominado pela liquidez conceptual? Como reformar o já reformado? Qual é o papel da arte, da arqueologia, da tecnologia ou das instalações?».

Programa de palestras e visitas

Os dois primeiros dias do congresso, 10 e 11 de outubro, serão dedicados à apresentação de trabalhos e comunicações. No sábado, 12 de outubro, haverá algumas visitas ao Porto e seus arredores, como às capelas do Seminário, o Mosteiro da Serra do Pilar, a capela de Quebrantões (Gaia), a igreja de Santa Maria (Marco de Canaveses), etc.

Os principais palestrantes serão Bert Daelemans, Walter Zahner e o cónego bracarense Joaquim Félix de Carvalho (já confirmados). Espera-se que Álvaro Siza possa apresentar as suas últimas duas igrejas construídas em França e Portugal.

O programa final, porém, será anunciado mais tarde.

Capela da Imaculada em destaque

Para cartaz, foi escolhida uma imagem da Capela da Imaculada, do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga. Lembre-se que, ainda há bem pouco tempo, recebeu o destaque de capa da “Trä!” (https://www.swedishwood.com/wood-magazine/se-fler-nummer/), revista sueca dedicada à arquitetura e aplicações de madeira, na linha do desenvolvimento sustentável.

Esta construção, da autoria dos Cerejeira Fonte Arquitetos, recebeu importantes contributos do cónego bracarense Joaquim Félix de Carvalho e dos artistas Asbjörn Andresen (escultor, escritor, professor e reitor na Bergen School of Architecture) e da pintora sueca Lisa Sigfridsson.

Edição inaugural em Ourense

As edições anteriores do congresso realizaram-se em 2007 e 2009, em Ourense; em 2013, em Sevilha; em 2015, em Puebla (México); e em 2017, em Santiago de Chile.

Para quem desejar participar e obter mais informações pode aceder ao sítio oficial do congresso na internet – https://sites.google.com/site/arquitecturareligiosa2019/.





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