Espaço do Diário do Minho

Doença arterial obstrutiva da artéria carótida

18 Jan 2019
João Oliveira

A Cirurgia Vascular é a especialidade que avalia sinais e sintomas de doenças das artérias, veias e linfáticos de forma a promover o seu tratamento médico e cirúrgico. Esta especialidade debruça-se sobre diversas patologias, entre as quais a doença arterial obstrutiva da artéria carótida (o principal vaso sanguíneo do pescoço responsável por fornecer sangue para o cérebro, face e pescoço).

Trata-se de uma condição em que muitas das vezes é silenciosa e traduz um elevado risco de desenvolver Acidente Vascular Cerebral (AVC). Fique a saber, através deste artigo, o que é a doença arterial obstrutiva da artéria carótida, porque aparece, como se manifesta e quais as formas de tratamento.

O que é?

A doença arterial obstrutiva da artéria carótida (ou estenose carotídea) consiste no desenvolvimento de uma lesão que vai impedir a normal irrigação do cérebro. Quando esta obstrução é suficientemente importante, pode ser a causa de desenvolvimento de AVC por embolia ou por oclusão da artéria carótida, com suas consequências (paralisia, coma, morte). O objetivo é o diagnóstico desta situação em fases assintomáticas ou de pequenos sintomas.

Porque aparece?

A causa principal da estenose carotídea é a aterosclerose, uma doença em que as gorduras se depositam na parede das artérias e acabam por formar um obstáculo à circulação sanguínea. São fatores de desenvolvimento da aterosclerose: tabagismo, hipertensão, dislipidemia, diabetes mellitus, sedentarismo, obesidade, idade avançada, sexo masculino. Contudo, esta lesão pode aparecer em doentes sem qualquer fator de risco.

Como se manifesta?

A estenose carotídea pode ser completamente assintomática ou manifestar-se de forma dramática por paralisia ou anestesia do hemicorpo (um dos lados do cérebro), afasia (perda da fala), cegueira, coma súbito ou mesmo morte.

Contudo, existem por vezes manifestações pouco exuberantes e de curta duração (minutos ou segundos) como alterações da visão, alterações da fala, perda de força de um membro ou alterações da sensibilidade de um membro, muitas vezes não valorizadas, e que são indiciadores do risco iminente de AVC. É nesta fase de pequenos sintomas que o benefício do diagnóstico e tratamento é maior.

Quando recorrer ao Cirurgião Vascular?

Todos os doentes com alto risco de doença aterosclerótica carotídea e/ou idade superior a 55 anos devem efetuar rastreio através de eco-doppler colorido (um exame não invasivo com recurso a ultrassons) que permite determinar o grau de obstrução, a localização e o tipo de lesão.

Como se trata?

O tratamento inicial da estenose carotídea consiste no controlo dos fatores de risco ateroscleróticos associado a fármacos que inibem a agregação das plaquetas e ajudam a prevenir a formação de coágulos de sangue.

Em alguns doentes, em que o risco é maior, poderá ser necessário realizar tratamento cirúrgico (correção da lesão obstrutiva). Este deverá ser feito através de cirurgia convencional (designada de endarterectomia) em que se efetua uma incisão na região lateral do pescoço para permitir a abertura da artéria carótida e remoção da placa de ateroma (lesão obstrutiva). Este é o tratamento padrão na estenose carotídea com indicação cirúrgica e permite uma redução significativa do risco de AVC do lado tratado.

Em algumas situações em que o risco cirúrgico é muito elevado poderá ser considerada a hipótese de cateterismo, com dilatação por balão (angioplastia) e colocação de stent (prótese metálica). Embora mais recente, ainda está reservado a situações de exceção pelo risco acrescido de complicações neurológicas.

Para além das complicações inerentes a qualquer intervenção cirúrgica ou anestésica do foro vascular, as complicações ligadas a este procedimento são raras, sendo a mais frequente o AVC e a recorrência da estenose a longo prazo.

Cuidados pós-operatórios

O tempo de internamento é, em média, de 4 dias e os pontos de sutura ou agrafos serão removidos cerca de uma semana após a intervenção. Poderá retomar a sua atividade normal logo que a mobilidade do pescoço seja perfeitamente normal (em média, 4 semanas) e é necessário manter uma avaliação clínica (consulta) a longo prazo.



Mais de João Oliveira


Scroll Up