Espaço do Diário do Minho

Diário do Minho, um jovem centenário

17 Jan 2019
Luís da Silva Pereira

Diário do Minho (jornal e parque gráfico) vai celebrar, no próximo dia15 de Abril, 100 anos. Como ex-director do jornal, o primeiro leigo que ocupou esse cargo, não podia deixar passar tão importante efeméride sem deixar desde já, nestas páginas palavras de celebração e parabéns.

Poucos serão os diários portugueses que podem orgulhar-se de terem atingido tão provecta idade. Cem anos de actividade ininterrupta mostram uma resiliência, como agora se diz, absolutamente notável. A quantos choques não resistiu, por quantas vicissitudes não passou, umas conhecidas, outras guardadas no recato dos responsáveis! Quantos jornais e empresas de âmbito nacional e regional não apareceram e desapareceram, alguns vertiginosamente, durante estes cem anos! Quantos foram apresentados ao público em condições que se julgavam as mais favoráveis, com apoios considerados duradouros, e quantos fecharam mais depressa do que se esperava!

Quem conhece, um pouco que seja, as tribulações por que tem passado, até em tempos mais recentes, o Diário do Minhoassim como o grupo empresarial homónimo a que pertence, não pode deixar de perguntar se tal capacidade de sobrevivência não tem a sustentá-la uma força que não é apenas humana. Não podemos esquecer que é um jornal de inspiração cristã, ao serviço, portanto, de Deus e de todos os homens.

Esse exigente estatuto editorial nem sempre facilita, por vezes até impede, o recurso a estratégias que permitiriam maior desafogo financeiro. E, contudo, estou convencido de que é essa fidelidade à matriz fundadora que tem permitido não só a sua credibilidade informativa, mas também a adesão fiel dos seus leitores e, afinal, a sua centenária longevidade.

Apesar de ter atingido cem anos de existência, o jornal, bem como o grupo empresarial a que pertence, permanece dinâmico, jovem, confiante no futuro. Se assim não fosse, não teríamos agora o mais recente projecto editorial que é a revista MINHA. Consideramos o título muito bem conseguido. Relaciona o novo produto com a região em que se insere, incutindo ainda subliminarmente a ideia de que é propriedade de cada um dos leitores.

De publicação mensal, a MINHA destina-se, quanto julgo saber, a um público algo diferente do que lê o jornal diário, uma vez que é distribuída gratuitamente por cafés, bares, restaurantes, cabeleireiros, consultórios médicos, espaços frequentados por milhares de pessoas que, nos seus momentos de lazer ou enquanto aguardam a vez de serem atendidas, mais não pretendem do que imagens e textos que não exijam leitura demorada ou muito reflexiva, antes permitam somente alguns instantes de descontracção.

Pelos dois números já publicados parece-me uma aposta bem conseguida. De visual alegre e colorido, grafismo moderno, impressa em papel de excelente qualidade, dá relevo à imagem, sem descurar os textos e sem omitir informações pertinentes e úteis. Sim, porque também queremos saber onde adquirir este ou aquele artigo de decoração, esta ou aquela roupa, onde picar umas tapas ou como confeccionar uma refeição diferente.

Verifico na ficha técnica que é uma senhora a directora de informação. Muito me alegra ver, numa publicação propriedade da Igreja bracarense e de instituições a ela ligadas, uma leiga a assumir estas responsabilidades editoriais. E talvez isso explique o facto de, sem esquecer interessantes figuras masculinas do âmbito docente ou do humor, por exemplo, dar também especial relevo a figuras femininas como a campeã da Europa de bilhar, por equipas, uma professora de yoga, uma atleta de alta competição de canoagem, uma enfermeira que exemplifica como conciliar a vida profissional com actividades saudáveis. O que se espera de uma revista de inspiração cristã é precisamente isso: atenção às pessoas, às suas mil e uma actividades que vão contribuindo, dia a dia, para a construção de um mundo mais justo e feliz.

P.S: Acabo de saber do falecimento do Sr. Cónego Fernando Monteiro, ex-administrador do Grupo Diário do Minho. A ele me ligavam profundas relações de amizade, nascidas no tempo em que fui director do jornal. Com a voz embargada pela comoção, apenas quero agradecer-lhe o seu exemplo admirável de homem e de sacerdote e pedir a Deus que o acolha nos seus braços amorosos.



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