Espaço do Diário do Minho

A quem incomoda uma educação harmoniosa e equilibrada do ser humano?
17 Jan 2019
Artur Gonçalves Fernandes

Todos nós sabemos que a educação é um facto exclusivamente humano devido à sua natureza específica. Como ser racional, o homem é o único ente que contém em si as grandes capacidades para se desenvolver culturalmente de um modo profundo e equilibrado. É ele que transforma o mundo, explora as suas potencialidades e concretiza o progresso, as descobertas e a evolução científica e tecnológica. Este estado de coisas é um facto incontornável que ninguém pode negar. O homem é o único ser terreno que tem inteligência, vontade própria e liberdade responsável.

É neste contexto que são inadmissíveis todas aquelas ideias e atitudes anómalas que por esse mundo fora se observam todos os dias e se vêm acentuando cada vez mais, ferindo a sensibilidade das pessoas honestas e de verticalidade ímpar. Isto vem a propósito da conversa que ouvi, há dias, entre dois amigos que comentavam certos programas televisivos. Enumeravam eles, entre outros, “os casamentos à primeira vista” e “o carro do amor”. Concluíram, então, que os valores verdadeiramente humanos estão a desaparecer e a dar lugar a comportamentos que, diziam, são indignos do homem.

Na verdade, os grandes princípios educacionais estão a dar lugar a uma desmoralização dos costumes tradicionais já bastante generalizada. Por isso, é sempre bom recordar que a educação tem por grande objetivo a construção integral e harmoniosa do homem, encarando-o como ele é, ou seja, como membro de duas pátrias: a terrena e a celeste. Educar uma criança é desenvolver na sua mente o conhecimento das verdadeiras finalidades da vida humana, penetrar no seu coração e despertar nele o imperativo moral que já possui como capacidade natural: deve praticar-se o bem e evitar-se o mal.

Este princípio universal está na base de todos preceitos éticos, culturais e morais que devem orientar a conduta de todo o ser humano. Sem ele, não há relação humana que perdure. Estas normas devem ser desenvolvidas na criança, em primeiro lugar, no seio familiar que é o alicerce da sociedade e a primeira instituição educativa.

A família não pode alienar nem transferir esta sua prerrogativa para qualquer outra entidade. Muitas das maleitas sociais existentes nas comunidades modernas são devidas a uma educação deficitária ou distorcida, permitida e alimentada no ambiente do lar. A escola exerce uma função educativa complementar, nunca podendo substituir, na sua essência global, a ação específica familiar.

Os pais são os primeiros e únicos responsáveis pela entrada da criança no mundo e, por inerência, pela sua educação de base. É um direito que lhes assiste e que lhes é imposto pela própria natureza humana. O amor paternal é difícil de substituir por qualquer outra entidade que não seja a família.

Contra a família ou à sua margem, nada se poderá fazer de genuinamente positivo em educação. Na infância, a criança tem tendência para afirmar-se sobre as pessoas e sobre o ambiente, para agir sozinha, inventar e experimentar coisas novas.

Tais situações exigem uma permanente atenção e acompanhamento por parte dos pais, embora saibamos que são também necessárias para o crescimento harmonioso e integral das crianças. A educação é sempre um processo interior, uma maturação pessoal das faculdades e das atitudes de cada criança, segundo as suas finalidades racionais, livres e responsáveis.



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