Espaço do Diário do Minho

Cristianismo «fashion»?
15 Jan 2019
João António Pinheiro Teixeira

  1. A Igreja é una, santa, católica e apostólica. Mas, às vezes, parece bastar que seja «fashion». Numa altura em que toda a gente quer ser diferente, porque é que teimamos em ser iguais? Esquecemos que o Cristianismo cativou pela diferença, não pela redundância.

  2. É certo que a diferença também gera reacção. Mas é pela diferença que se desperta atenção e se consegue adesão. Sendo assim, porque é que insistimos em «surfar» todas as ondas e em ir atrás de quase todos os ventos?

  3. Não raramente, dá a impressão de que cultuamos uma espécie de Cristianismo «fashion», a jusante dos tempos que vivemos e das modas que neles imperam. Falamos como toda a gente fala, portamo-nos como toda a gente se porta. No fundo, vivemos como toda a gente vive. Somos humanos. Onde se nota que somos cristãos?

  4. É claro que não faltará quem diga que assim é que é «fixe». E, para conforto momentâneo, lá nos vamos contentando com uma sucessão de palmas, palmadas, «likes», «emojis» e afins.

  5. Os eventos que promovemos provocam impacto. Mas será que produzem efeito? As nossas propostas ajudam a preencher o tempo. Mas o importante não deveria ser que elas contribuíssem para mudar a vida?

  6. A cupidez pelo elogio e a vertigem do êxito levam-nos a olhar o mundo como uma «plateia». Das pessoas, em vez de esperarmos conversão, esperamos sobretudo aplausos.

  7. A popularidade até pode subir. Mas será que é deste modo que o serviço melhora? Numa altura em que tudo parece tão «líquido», não deveríamos anunciar com mais afinco o Único que é sólido?

  8. Zigmunt Bauman reconheceu que «vivemos tempos líquidos: nada foi feito para durar». Frequentemente, parece que também nós nos limitamos a fazer para desfrutar. O que fica de tanto que fazemos?

  9. Não tenhamos medo de (re)propor o que é sólido, profundo e exigente. Não será que os nossos contemporâneos estão saturados desta «civilização do ligeiro» (Gilles Lipovetsky)?

  10. É natural que os cristãos vistam os «fatos» da época. Mas o fundamental é que «saibam» a Cristo e ao Seu Evangelho. A cultura «fashion» pode seduzir e deslumbrar. Mas é incapaz de encher a alma e preencher a vida. Só Cristo tem essa capacidade. É por isso que Cristo é mais «fashion» que as tendências mais «fashions» que se possam conceber. Ofereçamos Cristo e estaremos muito «à frente». Até de quem pensa que está na frente!



Mais de João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira - 23 Abr 2019

Dizem as Escrituras que o Ressuscitado, na «manhã daquele dia» (cf. Jo 20, 1), apareceu primeiro a Maria. Trata-se de Maria de Magdala (cf. 16, 9), mais conhecida como Maria Madalena (cf. Lc 8, 2). Ela «viu Jesus de pé» (Jo 20, 14), «perto do sepulcro» (Jo 20, 11). Acontece que, antes de Madalena ter […]

João António Pinheiro Teixeira - 16 Abr 2019

Que se saiba, nenhuma mulher negou – ou atraiçoou – Até a esposa daquele que O condenou terá feito tudo para evitar a Sua morte (cf. Mt 27, 19). Pilatos, Herodes, Anás, Caifás, Judas Iscariotes, soldados. Só encontramos homens implicados na condenação de Jesus. Mas se a morte é uma acção de homens, a notícia […]

João António Pinheiro Teixeira - 9 Abr 2019

Hoje em dia, não há praticamente ninguém que não recorra a alguma espécie de «aditivo». Desde os aditivos alimentares até aos tecnológicos, todos nós usamos substâncias para melhorar a qualidade, o sabor, o rendimento e, nessa medida, o bem-estar. Com o passar do tempo, já não imaginamos um produto sem algum dos seus «aditivos». Para […]


Scroll Up