Espaço do Diário do Minho

A mensagem e o “rol”…
14 Jan 2019
Narciso Mendes

«Quanto mais corrupto é o Estado, mais leis tem.» Tácito.    

A propósito do clima pré-eleitoral que se faz sentir, o nosso Presidente da República (PR), na sua tradicional mensagem de Ano Novo, veio avisar todos aqueles que decidirem ser candidatos nos três atos eleitorais que se aproximam para que avaliem, cuidadosamente, o seu percurso passado. Ou seja, para pensarem muito bem sobre o seu trajeto de vida ao longo dos tempos e procurarem, minuciosamente, se até aí não cometeram qualquer falta de que venham, mais tarde, a arrepender-se. O que, a acontecer, seria um rude golpe no compromisso para com aqueles que dedicam parte do seu tempo a comparecerem às urnas; para com os que de facto, através do seu voto, garantem manter de pé o estado democrático em que vivemos. 

Embora sobre o estado da justiça e da luta contra a corrupção pouco ou nada tivesse dito, todos conhecemos a sua posição. Uma vez que o PR, por várias vezes, já veio a terreiro insurgir-se contra aqueles que vêm contribuindo, ao longo dos quase 45 anos de democracia, para que se deite tudo a perder. No entanto, esperava-se o reforço de mais alguns alertas e uns quantos reparos acerca da impunidade que vem fazendo caminho na justiça portuguesa, sobretudo para com os casos que fizeram escândalo na opinião pública de cujo rol, neste início de ano, entendo de suma importância ser relevado. 

Assim, temos: o caso Camarate em que ficou por saber-se se teria sido acidente ou atentado; o Fax de Macau que envolveu a módica quantia de 50 mil contos doados pelos alemães, da Weidlplan, para o favorecimento na construção de um aeroporto, mas que não se veio a provar quem os recebera; o caso dos 150 doentes hemofílicos, em que apenas 30 sobreviveram, contaminados com o vírus da sida por alegado plasma contaminado procedente da empresa austríaca Plasma Pharm, sem que a justiça tivesse encontrado os culpados no Ministério da Saúde;

O escândalo financeiro da Moderna, a Universidade mortalmente ferida pela corrupção – ao serviço da Maçonaria – a qual viria a fechar as suas portas, sem uma profunda investigação, graças ao poder Mação em Portugal. Outras universidades se viram envolvidas em escândalos como a Independente e a Lusófona a atribuírem habilitações a políticos, no ativo, sem nunca lá terem posto os pés a não ser, quando muito, ao domingo. 

Os casos foram-se sucedendo, havendo outros que se foram juntando ao lote dos prescritos ou julgados inimputáveis pelos crimes cometidos. Veja-se o caso Freeport por alegadas luvas a um ex-ministro do Ambiente, que viria a ficar em águas de bacalhau. Ou seja, implantado em zona protegida, lá permanecendo sem culpados; A razia sobre os sobreiros do caso Portucale, um empreendimento de duvidoso interesse para o país, em que estiveram envolvidas figuras de um partido do chamado arco governativo, na altura, as quais viriam a ser ilibadas a alta velocidade por uma juíza que não vira ilicitudes cometidas no caso por esses políticos, assim como no caso dos subornos na compra de submarinos, provados e condenados na Alemanha.

A operação Furacão, “megaescândalo” de fraude fiscal e esquema, de invasão aos impostos para offshores, montado por alguns bancos e empresários. Ilicitudes, que foram continuando com as fraudes no BPN que deixaram um buraco de 7 mil milhões de euros a serem pagos por todos nós. Um caso sobre o qual um falecido deputado viria dizer: «a melhor forma de roubar um banco é administrá-lo»; o Face Oculta cujos tentáculos de polvo, ali estabelecido, eram estendidos a um amigo privado que, em vez de euros, pagava em robalos (?); esperando-se, no caso Marquês, BES, Tancos, etc., o desfecho. Contudo, se atentarmos ao que sucedeu com os Vistos Gold, bem poderemos vir a afirmar, como o fizeram dois advogados de defesa dos arguidos, que “a montanha pariu um rato”; ou nem um rato, por certo, irá parir.

Não estaria o nosso Presidente a pensar neste – crescente – “rol” de impunidades? 



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