Espaço do Diário do Minho

Um Bom Ano
3 Jan 2019
Silva Araújo

1.Não fujo à regra. A todos desejo um Bom Ano. Tudo farei para que isso aconteça.

Isto de desejar um Bom Ano e nada fazer por isso… ou, o que é pior, não desperdiçar a oportunidade de complicar a vida aos outros…

2.Desejo um Bom Ano a todos os níveis: individual, familiar, comunitário.

Um ano em que cada um se possa ver realizado. Se sinta respeitado na sua dignidade e nos seus direitos. Use bem da sua liberdade.

Um ano em que, sem deixarmos de cuidar de nós e dos nossos interesses, saibamos refrear o egoísmo perante as exigências do bem comum. Em que cada um assuma a responsabilidade de contribuir para a felicidade dos outros.

Um ano em que todos tenham trabalho digno e dignamente remunerado. Em que as crianças sejam respeitadas e acarinhadas, os doentes devidamente assistidos e acompanhados, os idosos justamente estimados e recompensados.

3.Um ano em que a família seja verdadeira comunidade de amor e de vida e autêntica igreja doméstica.

Onde se não confunda unidade com uniformidade e se respeitem as legítimas diferenças entre as pessoas. Onde o amor ultrapasse naturais divergências.

Onde cada um saiba reconhecer o valor dos outros, os felicite pelos seus êxitos e seja compreensivo em relação às suas limitações.

Onde haja tempo para a sã convivência entre marido e mulher e entre pais e filhos.

Onde quem falhou saiba reconhecer os erros e não abuse da indulgência dos outros. Saiba pedir desculpa e desculpar, perdoar e pedir perdão.

Onde os mais frágeis beneficiem do cuidado e da ajuda dos outros.

Onde os animais de estimação não ocupem o lugar das pessoas.

4.A nível eclesial, que todos tomemos consciência da condição de batizados. Que nos não limitemos a aconselhar a leitura da Palavra de Deus mas a procuremos assimilar e viver. Que, pondo em prática o mandamento de Jesus, dêmos ao mundo pagão o escândalo de realmente nos amarmos.

Que não haja lugar para o carreirismo e a vida seja vivida como serviço aos outros, com especial atenção aos mais carecidos de ajuda, seja a que nível for.

Que assumamos a responsabilidade de evangelizadores, convictos de que se prega mais e melhor com as obras do que com as palavras.

5.Noplano nacional, que cada um se assuma como cidadão de corpo inteiro. Cumpra os deveres de cidadania. Não se alheie da vida da comunidade e nela participe. Sempre.

Que o legítimo desejo de poder seja devidamente controlado. Que se não busque esmagando princípios e valores. Seja vivido como serviço e não como oportunidade para se servir ou servir os seus.

Que se atue sempre com a máxima transparência, pondo termo às diversas formas de corrupção. Que se identifiquem e responsabilizem os culpados por evitáveis tragédias.

Que quem está à frente de serviços públicos dê exemplo de dedicação, de atenção aos outros, de uma indesmentível honestidade.

Que os impostos sejam atribuídos com justiça e o seu produto criteriosamente gerido, privilegiando as necessidades básicas dos cidadãos.

Que se atenue o fosso existente entre os que muito possuem e os que pouco ou nada têm. Que se elimine o escândalo de pensões de reforma mais que douradas ao lado de pensões de miséria. Que exista a coragem de eliminar privilégios e mordomias. Numa sociedade com 1,8 milhões de pobres são inadmissíveis gastos supérfluos ou de ostentação.

Que se reconheça o valor das pessoas e, resistindo às pressões do nepotismo e da partidarite, para os cargos de maior responsabilidade se escolham os melhores: os mais conscientes, os mais competentes, os mais honestos.

Que não seja necessário recorrer à greve para que as pessoas vejam respeitados os seus direitos e satisfeitas as legítimas reivindicações.

Que a justiça não seja demasiado lenta e não dê pretexto a que se suspeite de uma justiça para ricos e outra para pobres.



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