Espaço do Diário do Minho

Os paradoxos do comportamento humano nas nossas sociedades
3 Jan 2019
Artur Gonçalves Fernandes

Ao revisitar o ano que há dias findou, muitos analistas, em vários debates ou reflexões efetuados nos Meios de Comunicação Social, deram realce apenas a acontecimentos banais, consubstanciados em futilidades, sem nada de permanente, duradoiro ou estrutural que fosse capaz de satisfazer intimamente a pessoa humana e as sociedades.

E no que concerne ao futuro, os seus desejos ou previsões afinaram pelo mesmo diapasão. São comentários meramente retóricos, sem qualquer sentido profundo, ocos e cheios de uma vacuidade confrangedora. A explicação para estas atitudes é simples. Cada um fala e exprime os valores que comandam a sua vida pessoal, familiar e social. Assim andam as nossas sociedades!

Muito raramente, lá aparece um ou outro que, por exemplo, tem a coragem de se referir às mensagens e aos discursos do Papa Francisco, cheios de nobreza humana.

No entanto, mesmo assim, fazem-no muito ao de leve e sem grande convicção, para não correr o risco de se sujeitar às críticas e chacotas de algum dos seus parceiros de painel ou mesmo com o receio de poder ser saneado pelos responsáveis desses Meios de Comunicação que são orientados por cânones de pura laicidade.

Uma grande parte desses iluminados não querem reconhecer a dimensão ética do próprio homem. Ou porque, nas suas relações sociais, não lhes convém muito ou porque, no seu meio ambiente social, se acobardam hipocritamente. A natureza do ser humano não é uma tábua rasa no que concerne à moralidade ou à espiritualidade. Em ética não há principiantes absolutos.

O erro que muitos críticos cometem está no facto de não quererem respeitar a dimensão ético-espiritual do homem e, por isso, a desprezam e violam no seu dia a dia. Esta dimensão, que é intrínseca à natureza humana, traz subjacente um potencial de uma riqueza inesgotável. De facto, na área da moral é que assentam todas as aptidões do psiquismo humano (o conhecimento, a emoção e o sentimento) e de todos os seus estratos constitutivos.

É este fenómeno psíquico que costuma ser esquecido quando o farisaísmo ou a miopia intelectual leva as pessoas a reduzir a vida moral à simples observância de umas quantas normas que ordenam apenas certos tipos de ações pessoais e sociais. Esta tendência redutora vê-se reforçada pelas ideologias que limitam a ação na sua infinita capacidade psíquica. Deste modo, toda a atividade humana assume, quer queiramos quer não, um valor profundamente moral.

Tudo isto se passa no mais profundo sentido especificamente ético-espiritual. Não é bom indivíduo quem for impiedoso, desonesto, conflituoso ou quem se angustiar com o bem dos outros, respirando apenas ódio e vingança. Pelo contrário, será boa pessoa quem praticar o amor, a lealdade, a retidão e defender a justiça, a harmonia e a paz familiar e social na sua dimensão universal.



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