Espaço do Diário do Minho

Em prol da cidade
31 Dez 2018
Narciso Mendes

Aquele que ali vai com ar fatigado, rua abaixo e trouxa às costas após findar a sua tarefa de doze meses, é o ano de 2018. E o que chega, feliz, sorridente, a puxar o trólei das suas vestimentas para ficar outro tanto tempo entre nós, prometendo procurar ser melhor do que o seu antecessor, é o novo 2019. Pelo que é tempo de balanços e reflexões em, termos da vida de qualquer autarquia – que se preze – como a de Braga.

E, em muitos aspetos entendo, como munícipe, ser meu dever reconhecer alguns feitos levados a cabo por este executivo camarário que, não terá feito mais e melhor, talvez devido à atrofiante situação financeira, herdada do passado. Mas como o que lá vai, lá vai, aquilo que se esperava eram menos queixumes e mais ação em tudo quanto à cidade dos Arcebispos diz respeito.

Equipa, da qual devo destacar a Dra. Sameiro Araújo por ser ela, quase sempre, a salvar a honra deste “convento” camarário que vem governando a urbe bracarense. Pois, pertencem ao seu pelouro todos os êxitos e vitórias desportivas, em prol desta cidade, que a guindaram ao primeiro lugar de “cidade europeia do desporto 2018”. Por isso, bem haja!

Prosseguindo, é costume dizer-se que os três mandatos concedidos pelo voto dos munícipes a uma equipa que pressagia presidir aos destinos da Câmara Municipal se deveriam dividir em três quadriénios:

– O primeiro seria o da análise dos “dossiês” herdados do exercício anterior, capacitando-os, ou não, de viabilidade; o planeamento, estudo e preparação do lançamento de novos projetos, consoante o caderno de encargos assumido em forma de promessas eleitorais. – O segundo deveria prender-se com o início dos trabalhos relativos a esses traçados, com a respetiva visibilidade no terreno, dando-lhes objetividade, forma, conteúdo e utilidade. Procurando mostrar aos bracarenses que o líder municipal se rege, também, por benfeitorias palpáveis que dignifiquem a cidade. E o terceiro seria o quadriénio da conclusão de tudo quanto foi levado a cabo, com a apresentação dos resultados desse panejamento e dos seus benefícios “em prol da cidade e seu concelho”. Assim estariam concluídos os 3 mandatos que a Lei concede, como limite, perpetuando nos anais de Braga o nome da força política em presença.

Fórmula essa que parece não fazer caminho do executivo que lidera a nossa Bracara Augusta, porquanto vem avançando com matérias avulsas, e por impulsos do momento, anunciadas na imprensa diária com estrondo, sem que se veja algum dinâmico investimento. Assim, o que está velho degrada-se; os novos espaços verdes não avançam; os pisos, sobretudo o da “calçada portuguesa” no centro histórico, continuam desnivelados formando charcos quando chove e deixando os transeuntes de pés molhados.

E já agora, seria de bom-tom explicarem o verdadeiro porquê da retirada do quarteto de árvores em frente ao Theatro Circo. Ou será que as estruturas que por ali vão sendo montadas não estorvarão as ações de socorro, em caso de emergência? É que se não, o abate ali operado tornou-se um verdugo e insipiente ato de zurzir o arvoredo.

Também sou dos que entendo ser precoce a taxa turística pensada para quem visita a nossa cidade, fixada em 1,5€ por pessoa, visto que no que toca ao investimento camarário dos ridículos 50.000€ terá agora uma comparticipação de 250.000€. Um valor, apesar de bastante melhorado, ainda muito aquém do necessário para promover a cidade cá e lá fora, cujo património riquíssimo é digno ser divulgado e só depois taxado.

Porém, não posso deixar passar em branco a pertinente chamada de atenção do Senhor Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, quando veio referir-se ao contributo que a Igreja dá ao turismo local através dos seus templos, com os quais o Estado tem tido, pelo menos até hoje, só benefícios em termos de receitas do turismo, sem que contribua para a preservação, reabilitação e restauração do património religioso da nossa querida Roma Portuguesa.

Um feliz ANO NOVO para todos.



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