Fotografia: DR

O Brexit e o contrato europeu: Que respostas?

Luís Filipe Lobo-Fernandes, professor catedrático de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho.

DM
22 Dez 2018

O Reino Unido deverá deixar a União Europeia a 29 de março de 2019. Numa altura em que o tema está na ordem do dia, o Diário do Minho conversou com Luís Filipe Lobo-Fernandes.

O docente, especialista em questões internacionais, considera que «o Brexit é uma péssima notícia para toda a Europa, já que enfraquece a Grã-Bretanha e não reforça a União Europeia».

Diário do Minho – Como vê a actual fase da União Europeia? 

Luís Filipe Lobo-Fernandes – Vivemos um tempo na União Europeia marcado por um paradoxo. Com efeito, detecta-se uma evolução atípica no processo de integração. Veja-se os avanços no caso da integração bancária e do chamado “semestre europeu”. Existe um aprofundamento! Mas, é um aprofundamento anormal comandado e liderado pela Alemanha. E, aqui pode estar parte do problema.

O problema não está tanto no facto da Comissão Europeia ter perdido algum espaço na arquitetura institucional. É fundamental perceber que o método de decisão já não é o da Comissão, mas sim o do Conselho da União Europeia. Acontece que a realidade do Euro conferiu à Alemanha um poder inusitado no seio da UE.

A Alemanha sempre assumiu que o abandono do marco alemão tinha como contrapartida a sua liderança em matéria monetária. A isto somou-se uma perda considerável de visibilidade da França, com repercussões negativas para o conjunto dado não existir conceito de unidade europeia sem a França – um país crucial na balança da Europa. É certo que Emmanuel Macron tem tentado contrariar esta situação.

Em rigor, porém, a França continua a cultivar uma postura fortemente “soberanista”, parcialmente responsável pelo facto de não se ter avançado tanto quanto seria necessário em matéria de coordenação política.

[Entrevista completa na edição impressa do Diário do Minho]





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