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Vertigem e tontura: o que são
7 Dez 2018
Daniel Miranda

Apesar de, na maioria das vezes, os termos vertigem e tontura serem interpretados como sinónimos, na prática clínica correspondem a sintomas distintos com causas diversas pelo que é importante a distinção entre ambos. Ambas são um motivo frequente de recurso ao serviço de urgência ou a consultas, quer de Medicina Geral e Familiar (MGF) quer de Otorrinolaringologia (ORL).

De uma forma simples, podemos definir vertigem, como a sensação ilusória de movimento (geralmente do tipo rotatório), quer do indivíduo, quer do ambiente que o rodeia. Isto é, um paciente com vertigem tem a sensação que as coisas giram, tal como, por exemplo, quando uma pessoa sai de um carrossel. Por sua vez, tontura entende-se como uma sensação desagradável de desorientação espacial, geralmente descrita pelos pacientes como “cabeça oca” ou “andar nas nuvens”.

O sintoma vertigem geralmente está associado a doenças que afetam as estruturas do ouvido interno responsáveis pelo equilíbrio, ou, mais raramente, o sistema nervoso. Já a tontura é um sintoma mais inespecífico, isto é, pode ter origem em doenças que afetam vários órgãos e sistemas, como por exemplo: aparelho cardiovascular, endócrino, osteoarticular, causas psiquiátricas ou mesmo em efeitos colaterais de medicamentos.

Como vimos, a distinção entre vertigem e tontura nem sempre ser fácil, contudo, é importante, de modo a diagnosticar o problema que lhe está subjacente. Para tal é fundamental questionar o paciente, pedindo-lhe, muitas vezes, que ele descreva os seus sintomas com as suas próprias palavras.

Na avaliação de um doente com estas queixas, é importante verificar se as mesmas evoluem por “crises” ou de forma contínua, qual a duração dos sintomas (segundos, horas ou mesmo dias) e se identificam algum fator desencadeante da vertigem/tontura (por exemplo, levantar e deitar na cama, colocar objectos numa prateleira).

É também importante verificar se estão presentes outros sintomas associados à vertigem/tontura de modo a elucidar qual o diagnóstico: sintomas de náuseas (enjoo) e vómitos, sintomas auditivos (perda da audição, zumbidos ou apitos nos ouvidos, sensação de ouvido bloqueado ou pressão no ouvido), sintomas neurológicos (dores de cabeça, perda de força ou sensibilidade nos membros, dificuldade na fala ou a engolir alimentos), bem como, sintomas cardiovasculares (desmaio, perda de consciência, sensação de perceção dos batimentos cardíacos).

Frequentemente, verificamos que é explicado ao paciente que o mesmo é portador de um “síndrome vertiginoso”. Tal expressão não significa um diagnóstico preciso mas sim, um conjunto de sintomas que habitualmente surgem associados à vertigem (enjoo, vómitos, desequilíbrio, suores frios).

Na prática clínica do otorrinolaringologista é fundamental distinguir se a vertigem é provocada por doenças do ouvido interno ou do nervo vestibular (nervo responsável pela condução da informação do ouvido interno ao cérebro), a designada vertigem periférica, ou por outro lado, ser provocada por doenças do sistema nervoso central (vertigem central).

Para tal é importante a caracterização pormenorizada dos sintomas e a observação do paciente. Muitas vezes, é necessária uma avaliação conjunta entre as especialidades de Otorrinolaringologia e Neurologia, assim como, recurso a exames complementares de diagnóstico de modo a elucidar o diagnóstico.



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