Espaço do Diário do Minho

Maus ventos que não desarmam
7 Dez 2018
Artur Soares

Recordo perfeitamente de minha mãe, na minha juventude, de dizer-me que havia pelo menos uma categoria de pessoas por quem tínhamos de ter o devido apreço: que eram os que governavam. “Temos de ter respeito e ser educados com todos”. Dizia ainda: “mas aqueles são especiais: governam o país”.

Várias décadas se passaram já por cima da minha juventude. Conheci imensa gente, tive imensos amigos e nunca ninguém se me queixou da minha forma de ser, de ver, de viver e de lidar com os outros. Todavia, sei que o mundo que hoje se me apresenta, não é o mundo do apreço e da educação, que minha mãe teve o cuidado de me alertar, ensinar ou incutir.

O mundo deste século e o da metade do século anterior, descambou. Na política, p.e. poucos respeitam todos, muitos desconhecem a expressão “ter carácter” e, poucos também, noutros sectores da vida social são verticais, são indiferentes ao bem comum e, quanto a generosidade, “quem quiser desenrasque-se”.

Portugal é um país com grande história, linda história, mas tem descambado. É verdadeiramente a classe política e alguns oportunistas que têm feito mal aos portugueses. Servem-se do povo, mentem ao povo, escravizam-no de várias formas e ossificam-no permanentemente. Os políticos, quase todos, insensivelmente tomam banho na incerteza e nos medos que semeiam, para enriquecerem desmesuradamente, proteger os amigos e familiares, e porque actuam indiferentes à resolução dos problemas nacionais.

Recordemos os mortos nos fogos de Pedrógão: o responsável-mor deixou o país a arder e foi gozar as férias; no caso da casa de acolhimento Raríssimas, os governantes desconheciam a situação dos saques e ainda se não conhece os responsáveis; o nauseabundo caso de armas roubadas em Tancos, o Governo é surpreendido e desconhecia o sistema de segurança desse estabelecimento militar; a estrada de Borba aluiu devido às minas e os governantes fizeram ouvidos de mercador perante os perigos identificados atempadamente; vários políticos estão acusados por crimes contra o Estado, mas atenuam tudo, tardam em julgar e substituem elementos para o julgamento ser mais dócil ou arquivado.

Sendo assim, tendo razão este preocupado destampador dos males que observa, como pode um país – o seu povo – dar o voto a esta gente, acreditar nesta gente? Que dizer ou que pensar de um primeiro-ministro que tem procurado fugir a justas críticas do seu Governo, por tantas tragédias que têm acontecido no país e que indirectamente se anuncia inocente, sem culpas?

A derrocada da ponte de Entre-os-Rios, que vitimou cerca de cinquenta pessoas, também por desleixo dos governantes de então, teve em Jorge Coelho um maior grau de sensatez, em comparação com as atitudes de António Costa: Jorge Coelho demitiu-se do Governo para não ser o bombo de festa de ninguém, embora se soubesse logo a seguir que um emprego bem chorudo na chefia de uma empresa de construção, estava já à sua disposição, meses antes da queda da ponte.

Como acreditar em políticos, nesta gente, que minam os seus próprios Partidos Políticos para a destituição, como fez António Costa ao abalroar António José Seguro, porque a ânsia do poder era-lhe mais forte no sangue do que o respeito e a lealdade que se deve a quem quer que seja? Como acreditar em políticos, nesta gente, que somente vendo dinheiro, protagonismo e poder, colocam um tampão ou um ferrolho no resultado de umas eleições legislativas e, minoritariamente fabricam um Governo não eleito, ageringonçado? Ora tudo isto, são ventos que não desarmam. São ondas que se levantam e demoram em desmoronar-se.

O povo sabe os governantes que tem. O povo regista as incompetências, a vida rapace desta gente e creio bem que se fará justiça. Pena é que tantos ainda, acreditam na inocência destes pugilistas da anulação ou da fuga de críticas e de responsabilidades.

No meu tempo de criança, era o Menino Jesus que colocava as prendas no sapatinho na noite de Natal. Hoje não é bem assim que se diz. E se se diz como no meu tempo, há sempre alguém que goza com essas crianças por acreditarem no Pai Natal.

Mas cuidado, pois uma verdade também tem de se dizer: pena é que tantos adultos, acreditam também em António Costa, na Geringonça, nas mentiras políticas e na insensatez que tem mostrado quanto a responsabilidades de acidentes e de crimes praticados entre seus pares. E se tudo isto são ventos que não desarmam ou ondas que se impõem, como disse anteriormente, a factura irá pagar-se.

(O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico)



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