Espaço do Diário do Minho

Osteoartrose – quando os ossos começam a ranger
20 Nov 2018
Paulo Picão Capelo

A osteoartrose – ou simplesmente artrose – é a doença articular mais frequente, representando a primeira causa de dor crónica, absentismo ao trabalho e invalidez.

É uma doença que atinge, fundamentalmente, a cartilagem articular, que é um tecido conjuntivo elástico que se encontra nas extremidades dos ossos que se articulam entre si. Na osteoartrose, ocorre a lesão da cartilagem articular e o osso que está por baixo (osso subcondral), reage, espessando-se e dando origem a saliências ósseas chamadas osteófitos, vulgarmente apelidados de “bicos de papagaio”.

A dor é o principal sintoma de artrose. Intensifica-se ao longo do dia e alivia com o repouso. Pode ser acompanhada de rigidez, derrame articular e limitação da mobilidade.

A rigidez no início do movimento surge, em particular, de manhã ou após períodos de repouso. O derrame articular, geralmente pouco importante, é a tradução do uso excessivo da articulação.

Por outro lado, a limitação da mobilidade tem um impacto significativo na qualidade de vida podendo dificultar gestos simples e as tarefas da vida diária. Nas formas mais avançadas da doença, podem ocorrer deformações articulares fruto da presença de osteófitos e alterações do aparelho de suporte da articulação.

Os fatores de risco para o aparecimento e progressão da doença devem dividir-se em 2 grupos: os fatores de risco modificáveis e os não modificáveis. Entre os fatores de risco não modificáveis contam-se a idade, a genética e o género feminino. Os modificáveis são aqueles sobre quais podemos atuar preventivamente e, com isso, alterar o curso da doença. São eles a obesidade, alterações do alinhamento articular, traumatismos e atividade física ou profissional.

Desta forma, as pessoas que têm um risco acrescido de desenvolver osteoartrose são, sobretudo, os idosos, em particular do sexo feminino, os obesos, os que têm as suas articulações sujeitas a sobrecarga devido à profissão ou ao desporto e os que têm alterações anatómicas, congénitas ou adquiridas, que alterem a mecânica normal das articulações.

A prevenção da osteoartrose deve começar sempre por tratar a obesidade. A perda de peso, ao diminuir a carga sobre as articulações, sobretudo sobre os joelhos, melhora só por si a dor e reduz o risco de progressão da doença. É fundamental corrigir erros alimentares e praticar exercício físico moderado de forma regular (2 a 3 vezes por semana).

Os tipos de exercício mais recomendáveis para a osteoartrose são a natação, hidroginástica, yoga e pilates clínico. Em outra medida, a correção de defeitos posturais e anomalias articulares, juntamente com a evicção da sobrecarga articular e traumatismos repetitivos completam um conjunto de medidas fundamentais para atenuar o impacto da doença.

A osteoartrose não tem cura, mas tem tratamento. Os principais objetivos do tratamento são proporcionar o alívio dos sintomas, minimizar a incapacidade e evitar a progressão da doença. A dor deve ser tratada com analgésicos quando presente, ou diariamente no caso de dor crónica. Nos períodos de inflamação, os anti-inflamatórios são uma opção mais eficaz.

Podem ser aplicados de forma tópica, sistémica, intrarticular ou periarticular de acordo com a intensidade dos sintomas e o estadio da doença. Nas formas mais evoluídas e incapacitantes, a cirurgia ortopédica pode ser considerada. No campo da reabilitação, a fisioterapia e a hidroterapia são ferramentas a ter em conta e os fármacos protetores da cartilagem alteram a evolução natural da doença e proporcionam o alívio dos sintomas.

A osteoartrose é uma doença de caráter benigno, com bom prognóstico na grande maioria dos casos. É uma patologia muito frequente, que o seu médico de família está habituado a gerir. Se acha que as suas articulações já não são o que eram, procure o seu médico. Em conjunto consigo, ele saberá definir as medidas certas para que a doença não interfira com a sua qualidade de vida.



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