Espaço do Diário do Minho

Eternidade e Juventude
9 Nov 2018
Maria Teresa Conceição

Neste mês de Novembro, dedicado às almas, faz-nos bem pensar em Eternidade, essa realidade que nos espera quando partirmos para a Pátria Celeste. O Papa Bento XVI definia Eternidade como o instante de satisfação, onde a Totalidade nos abraça e nós abraçamos a Totalidade.

Onde quer que se esteja, seja qual for o nosso trabalho, temos de pensar que o fazemos para Deus e se tivermos de cumprir qualquer missão, por mais difícil que seja poderemos sempre pedir a ajuda do alto para no dia da nossa partida podermos dizer – missão cumprida.

O Papa Francisco anunciou assim o sínodo dos bispos que terminou a 28 de Outubro:

É-me grato anunciar-vos que em Outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração”.

O Papa afirma que os jovens devem ser levados a sério e convida-os a tomar um papel activo na sociedade com a certeza fundamental que Deus ama a todos e a cada um dirige pessoalmente uma chamada. Os jovens devem pedir aos adultos para estarem a seu lado e os ajudarem nas escolhas importantes.

Vários conselhos foram dados na preparação deste sínodo:

1. Defender a dignidade da mulher. Qualquer uma e todas são filhas de Deus.

2. Falar, pedir conselho, principalmente quando as dúvidas apertam, pois é terrível deixa-las crescer. Para isso é preciso haver pessoas capazes e bem preparadas para saber ouvir e falar.

3. Usar a cabeça, o coração e as mãos, ou seja, pensar bem, saber sentir, educar os afectos e meter mãos à obra aproveitando os dons de cada um ou cada uma.

4. Procurar o apoio de uma comunidade que ame a verdade, pratique a justiça e a paz.

Devemos compreender e amar os jovens, nunca teme-los, devemos mostrar-lhe que não estão sós.

5. Formar-se bem, harmonizando quatro aspectos: espiritual, intelectual, comunitário e apostólico. Para amadurecer, crescer sem desvalorizar qualquer deles. Para quem tem filhos educa-los bem, sem hiperprotecção que os tornará imaturos, sem saber discernir o bem do mal.

A formação no discernimento é fundamental diz o Papa: “Discernir, qual é a voz do Senhor, qual é a voz de Quem nos conduz à Ressurreição, à Vida, e a voz que nos livra de cair na cultura da morte”.

O Evangelho da Missa desse domingo, 28 de Outubro, falou da cura do cego Bartimeu, e para que ele descobrisse Jesus, que passava, foi preciso ouvir o ruído da multidão, que entretanto lhe dizia para não incomodar o Senhor quando este cego não parava de gritar: “Filho de David tem piedade de mim”. Foi também essa mesma multidão que lhe transmitiu o chamamento de Jesus a Bartimeu que atirou fora a capa e deu um salto para depressa se aproximar do Mestre. Todos nós e principalmente os jovens devemos pedir como Bartimeu: “ Mestre que eu veja”.

Depois, tendo sabido desprender-nos do que nos prende, das nossas capas, pediremos: Mestre que eu seja.

Procuremos, nunca perder o ponto de vista sobrenatural, vendo Deus por detrás de cada acontecimento, seja ele agradável ou desagradável. Falar com Deus, não nos produzirá nenhuma deformação psicológica, e para qualquer cristão deve ser tão natural como o bater do coração, como dizia S José Maria.

Santa Teresa de Ávila queixava-se a Deus de muitos padecimentos que tinha, e com amor dizia-Lhe: agora sei porque tens tão poucos amigos!

Os padres sinodais numa carta aos jovens diziam que a Igreja e o Mundo precisam urgentemente do entusiasmo dos jovens e que deveriam ser “companheiros de estrada dos mais frágeis, dos pobres, dos feridos pela vida. Vocês são o presente, sejam o futuro mais luminoso”. Também nós, os adultos que não queremos um espírito velho, devemos ser luz e não trevas pensando na eternidade.



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