Espaço do Diário do Minho

CR7 e o país dos “homens de pouca fé”
30 Out 2018
Eduardo Tomás Alves

  1. A semana de Maiorca (e de Mayorga…). Há cerca de 15 dias, pode bem dizer-se que os “media” nacionais (e sem grande exagero, também os internacionais) se ocuparam, entre outros assuntos, primacialmente de 2 temas. E em ambos havia uma referência directa ou indirecta, à maior das ilhas Baleares, a ilha mediterrânica espanhola de Maiorca. Por um lado, reportaram a catástrofe das inundações torrenciais que causaram cerca de 14 mortos naquela ilha (e que também afectaram partes do antigo reino de Aragão e outras regiões no sul de França). A outra alusão a Maiorca era a que transparecia do apelido (Mayorga) duma jovem acompanhante de casino, que agora, 9 anos depois de ter “flirtado” com o milionário futebolista madeirense Cristiano Ronaldo Aveiro, o veio (desta vez publicamente) acusar de a ter na altura forçado a certo tipo de práticas sexuais que não desejava. Ao que parece, os factos ocorreram numa noite de férias; em que, depois de se conhecerem e dançarem um com o outro no salão de festas do hotel (e talvez já influenciados pelo álcool ou outros produtos), a inocente vestal subiu de bom grado aos luxuosos aposentos do futebolista. Ao que parece para, como nessas ocasiões costuma ocorrer, ele lhe mostrar as suas colecções de cromos ou ambos discutirem filosofia ou jogarem jogos de computador. Só que, o estranhíssimo Ronaldo (esse insólito terráquio que nos anos seguintes, muitos haveriam até de perceber que afinal se tratava de um “galáctico”) teimou em estreitar relações com a pura vestal, desse para o que desse. Ignorando os tais cromos, a filosofia e os jogos de computador. Nunca a púdica e mafiosa Las Vegas aliás presenciara (nem depois alguma vez haveria de presenciar) tão descabido, despropositado, insólito e amalucado comportamento. Consumados (ou não…) os carnais intentos do funchalense (decerto não registados em vídeo, o que seria uma devassa da intimidade por parte do hotel), o certo é que ambos são vistos minutos depois a descer juntos para o salão e a continuar em normal convívio. Só que, a ingénua vestal tinha era afinal costela de mercador maiorquino ou de publicano romano; ou de extorsionista siciliano; ou de cobrador portucalense de IMI e IRS. Ameaçou dias depois o manchesteriano (à época a mudar-se para Madrid) de que, ou lhe pagava uma pequena fortuna (350 mil euros) ou contava uma diferente e comprometedora versão da sua lavra, sobre o que o irmão da bela Kátia lhe havia feito: basicamente, que nem a sua colecção de cromos lhe mostrara… Há quem diga que, para não prejudicar o Real ou a sua carreira, Ronaldo aceitou a clássica bicada (o “pizzo”) dos mamertinos. Entre verdadeiros cavalheiros, a coisa ficaria resolvida. Mas não ficou…

  2. Os “media” portugueses tomaram logo o partido “da senhora”). De bestial a besta, em 5 minutos. Anos e anos, os “media” e o público português (penso que com evidente exagero) endeusaram a pessoa e o papel do notável Cristiano Ronaldo. Hoje é quase indisputável que se trata do maior futebolista português de sempre; superior ao próprio Eusébio, a Futre, João Alves, Damas, Fernando Couto, Figo, José Augusto, Travassos, Peyroteo, José Águas, João V. Pinto, Bahia, Bento, A. Oliveira e alguns outros. Mesmo assim, como os girassóis e os cataventos, logo certos complexos de culpa ou traumas freudianos de infância forçaram a lusa grei a abandonar na praia o seu herói de pés de barro. Porém, ninguém ousaria sequer piscar os olhos quando estupidamente, alguém há 3 anos se lembrou de baptizar o aeroporto do Funchal com o nome de Ronaldo. E erigir-lhe uma (feia) estátua em vida. Agora, mal uma rapariga desconhecida (mas americana!) acusou Cristiano de crime (do qual em Portugal já estaria aliás prescrito o direito de denúncia, em nome do sagrado e civilizado direito à segurança jurídica de cada um), agora todos reverenciam a moça. E logo a tratam por “senhora”. A sua credibilidade, porém, pode ser facilmente desmontável. Primeiro, pelo facto de se ter dado efectivamente por satisfeita com o lucrativo acordo de 2009. Segundo, porque só agora, passados 9 anos, se lembrou de achar que “afinal era pouco”… Se CR7, em vez de português fosse espanhol ou italiano, o seu povo (a opinião pública) não o trairia. Aqui, repete-se 1822,1910, 1974. Girassóis e cataventos. O que ontem era verdade, hoje é mentira. Um país assim, arrisca-se a todo o tempo, a perder a própria independência… Bem, Maastricht já não foi muito diferente disso.

  3. A teoria da minha quase conterrânea Mariana Mortágua).Deve ter aprendido com o seu paizinho, Camilo Mortágua (um oliveirense de Ul, que participou, pela LUAR, no assalto ao banco da Figueira e no desvio do navio Sª Maria). Disse ela uma vez que “o dinheiro, há que ir buscá-lo onde ele está”. Ora o vasto património de CR7, até hoje bem administrado por técnicos fieis, é como um banco, como uma “vaquinha leiteira”. Os oportunistas que tentem a sua sorte. Aliás, o Real desse discutível presidente Florentino Pérez, também se dissociou de CR7 (a quem tanto devia) naquela ignóbil questão do cômputo dos impostos devidos ao rigoroso Fisco espanhol.

  4. Terá Cristiano feito mal, ao aceitar ir para Itália?). Homem tão rico, trabalhou longos anos na Inglaterra e na Espanha. Ao ir para a Juventus, da nortenha Turim, entra num país em que, mais mal que bem, a influência do “crime organizado” se faz sentir; mesmo no Norte, onde é contudo efectivo um sentimento de condenação da mentalidade napolitano-siciliana de juntar fortunas através da prática de actividades delituosas (e de, para muitos, se considerar traiçoeiro, denunciá-las). Será mesmo que esta chantagem da insignificante Catarina Mayorga não fará parte de um plano das (infelizmente poderosíssimas) organizações criminosas italianas, atraírem CR7 e os seus vastos capitais, para a sua órbita? Algo de semelhante aconteceu no passado ao argentino Maradona no Nápoles, parece. Só que este outro génio do futebol, que aliás é muito boa pessoa, tinha efectivamente sangue italiano pelo lado da mãe. Mas mais coisas decerto se saberão em breve. Lamentemos e aguardemos.



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