Espaço do Diário do Minho

Sem Moral estiola a Democracia
12 Set 2018
BENJAMIM ARAÚJO

Li o artigo do ilustre Psicólogo e Jornalista M. Ribeiro Fernandes que, como já vem sendo costume, me merece os mais sinceros aplausos, concretamente no que refere às figuras e partidos políticos citados. Até se pode pensar que alguns tenham razão no seu pensamento, mas “não podem impor aos outros a sua ética”, como afirma o Dr. Ribeiro Fernandes. Na minha humilde opinião, considero e digo-o, categoricamente, que o pensamento não chega, porque este não goza de autonomia como responsável pela atitude Ética ou Moral, no campo da Democracia. O pensamento, como expressão clara e distinta da razão, bem como o sentimento no campo afetivo, a emoção, a dinâmica progressiva das nossas ações, as motivações, os nossos desejos, aspirações e preferências, porque existenciais, não gozam de autonomia, de liberdade e de responsabilidade. Gozam, sim, do desejo da plena satisfação do indivíduo no campo existencial.

Todas as nossas dinâmicas existenciais são instáveis, temporárias, subjetivas e individuais. São energias que anseiam pelo seu próprio bem-estar, o seu próprio prazer, o seu próprio domínio e prestígio, não pondo de lado o indivíduo como força positiva e atropeladora.

“Sem Ética não há democracia”. E a Ética alimenta-se do ôntico e natural ser humano através dos seus evolutivos caminhos para a transcendentalidade, a qual: se abre, pela força da superação, de lés a lés, para o Transcendente, na pessoa de Jesus Cristo, o nosso salvador e a nossa salvação; se abre, com os seus retos caminhos para a unicidade, a inimiga da separação, do isolamento e da rotura; se abre, com os seus evolutivos caminhos, para os justos e progressivos relacionamentos de bem, justiça, amor e verdade, consigo mesmo, com o social, com o mundo (a nobre habitação do homem) e com Deus.

A democracia sem a Ética e sem a Moral transcendental é o princípio e o ponto de partida para toda a corrupção.

Segundo o distinto psicólogo e jornalista: há várias, erradas e enganosas formas de ética: “a ética aristocrática, a burguesa e a republicana…” e também toda a ética fraudulenta que tem por objetivo suplantar o ôntico e natural ser humano na ânsia de mergulhar e atar toda a humanidade nos cordéis dos seus frágeis interesses e prazenteiros motivos existenciais. A verdadeira e autêntica Ética busca, afanosamente, os motivos transcendentais.

Nota da Direção: Este artigo foi enviado para o Diário do Minho pelos familiares do Dr. Benjamim Araújo antes do seu falecimento. Publicamo-lo com autorização da família.



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