Fotografia: Nuno Cerqueira
Advogada nega burla a empresário mas assume dívida a tio do mesmo

Ema Magalhães dos Santos admitiu que tem «contas a acertar» com um tio do queixoso.

Redação
12 Set 2018

Uma advogada de Barcelos acusada de burlar um cliente em mais de 180 mil euros afirmou hoje, em tribunal, que não deve nada ao queixoso, admitindo apenas que tem «contas a acertar» com um tio do mesmo.

«Dos montantes entregues pelo senhor Dias [empresário queixoso], foi tudo consumido em despesas judiciárias e adiantamentos de honorários», referiu a arguida, no Tribunal de Braga, no início do julgamento, em que responde por burla qualificada, abuso de confiança e falsificação de documento

Ema Magalhães dos Santos admitiu que tem «contas a acertar» com um tio do queixoso, relativas a três cheques no valor total de 150 mil euros.

O queixoso, um empresário da restauração, disse que, no total, entregou mais de 180 mil euros à advogada. Explicou que, por não ter dinheiro, pediu ajuda a um tio, que providenciou os 150 mil euros.

Nos primeiros contactos com a advogada, esta ter-lhe-á pedido 17500 euros para uma alegada perícia a uns documentos alegadamente falsificados.

«[A arguida] disse-me que a perícia custava 20 mil euros mas, como eu apenas tinha 17.500, que me emprestava o resto», contou o queixoso.

A arguida não assumiu o recebimento desta quantia. «Pelas quantias que recebi, passei o respetivo recibo», afirmou.

O queixoso acrescentou que a advogada foi-lhe sempre pedindo novas quantias para tratar dos processos, designadamente 50 mil euros para uma caução e mais 100 mil euros para reforçar a mesma caução.

Caução que, adiantou o empresário, nunca foi prestada, tendo o dinheiro ido parar à conta pessoal da advogada.

«Estava sempre a pedir-me dinheiro, dizia que eu estava em risco de perder todo o meu património e eu, na minha boa-fé, fui dando. Enrolou-me quanto pôde, dizia que metia processos e não metia, que pagava dívidas às Finanças e não pagava, fiquei com a vida arruinada», referiu.

Em 2016, Ema Santos foi julgada, também no Tribunal de Braga, por burla a um casal de Barcelos, no valor de 238 mil euros.

Antes da leitura do acórdão, a arguida pagou a dívida e o casal desistiu da queixa, pelo que o tribunal declarou extinta a responsabilidade criminal da arguida.

O Ministério Público tinha pedido cinco anos de prisão, com pena suspensa, e a juíza presidente do coletivo lembrou que foi dado como provado que a arguida praticou o crime de burla e que “incorria numa pena bastante elevada, obrigatoriamente de prisão, que poderia ser suspensa ou não”.

Esse processo fez “soar os alarmes” junto do empresário queixoso no caso que hoje começou a ser julgado, que desistiu dos serviços de Ema Santos e procurou outro advogado.

«Nunca mais lá fui [ao escritório de Ema Santos] , não gosto de criar confusões, quando a comida não serve põe-se na beira do prato», afirmou o empresário.




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