Espaço do Diário do Minho

Santa (nista) Aliança de Pedro
3 Set 2018
Narciso Mendes

Só quem esteve distraído, ou pouco ligou ao último congresso do maior partido da oposição, PSD, é que não reparou no esforço que o Dr. Pedro Santana Lopes, derrotado nas eleições internas do partido, fez para conter a insatisfação da derrota. Notando-se, nele, uma certa inquietação motivada pelo inconformismo sentido pela vitória do Dr. Rui Rio.

Pois todos sabemos que em política os sorrisos, abraços e palmadas nas costas nem sempre significam um ato de verdade, reconhecimento e aprovação. São apenas gestos de simples cortesia perante as câmaras da comunicação social, mas sem se desviarem dos propósitos de levarem por diante os projetos em mente.

Pois bem, passado o período de nojo relativo ao congresso, ei-lo a avançar com uma nova força política a juntar-se às dos espetro partidário nacional: o Aliança, que trará a terreiro do debate político, provavelmente, uma outra visão sobre a social-democracia que não aquela preconizada por Rio, no PSD.

É que Santana Lopes, já havia demonstrado não se rever, nem pouco mais ou menos, na postura do líder social-democrata perante o atual Governo. Segundo ao que parece, algo periclitante face à esquerda governante e, por vezes, até bastante subserviente e cordato com o Primeiro-ministro, PM, Dr. António Costa, na remota esperança de, nas próximas legislativas, vê-lo sacudir a esquerda radical.

Ora, está mais que evidenciado que Santana não crendo em tal bondade infinita de Costa, uma vez que sabe bem tratar-se de um político matreiro, capaz de tudo para se manter à frente dos destinos do país, resolve situar-se no espaço entre o PSD e o CDS, numa estratégia de criar mais uma força política capaz de congregar gente dos três partidos, sua simpatizante, formando à direita um bloco tripartidário que force o PS a aliar-se, caso não obtenha maioria absoluta em 2019.

Uma vez que o PCP anda a afastar-se demasiado do acordo, bastando, para isso observarmos as alfinetadas de Jerónimo, bem como as greves e contestação que a CGTP promete no futuro.

Talvez, com esta postura de avanços e recuos, o PS ande a forçar o Bloco de Esquerda a uma cambalhota ideológica monumental. Isto se os bloquistas pretenderem salvar o pacto que os vincula à esquerda governamental.

É que, Costa, a entender-se com Rio e agradado com um santanismo que diz não querer vir a ser contestatário, mas detentor de propostas liberais – embora ainda aqui há uns tempos tivesse afirmado que queria mais estado na saúde – poderá estar tentado a um volte face.

O que não é crível, pois não só faria azedar as suas relações com toda a esquerda parlamentar, mas também com algumas franjas do PS, voltando-se aos debates quentes na Assembleia da República.

Uma coisa é certa, Santana parece não estar disposto a seguir Rio na sua softoposição ao Governo. Sobretudo se pensarmos que o “Aliança” foi criado com a finalidade de eleger as propostas do seu líder, apesar de ter sido, nestas quatro décadas de democracia, “galo” de alguns “poleiros”.

Pelo que só poderá vir a conter a óbvia mensagem – para o “exânime” momento por que está a passar o PSD – de que é chegada a hora de serem honrados os caminhos da social-democracia apontados por Francisco Sá Carneiro. Isto, se Rio, na sua estratégia política, continuar a piscar o olho à esquerda.

É claro, que não há certezas sobre quantos militantes e simpatizantes a Santa (nista) Aliança de Pedro irá arrebanhar dos outros, sobretudo do PSD e CDS, mas não prevejo que seja capaz de os partir ao meio, nem tão pouco provocar-lhes um desastre eleitoral.

Então para que servirá mais? Para apanhar alguns dos inconsoláveis “gatos” que saírem do “saco” como alguém disse, um dia, do PSD? Ou será que o ex-provedor da Santa C. M. de Lisboa estará a pensar que Costa irá necessitar dele para implementar reformas – exigidas pela União Europeia – caso esta eufórica onda socialista se der conta de que o país, afinal, não está tão rosa como o pintam? A ver vamos!



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