Espaço do Diário do Minho

Corpo, para quê ? (V)
28 Ago 2018
Isabel Vasco Costa

Para desenvolver a musculatura da saúde e da alegria.

Procurando seguir o que está na mente de Deus relativamente ao Homem, o último dos artigos que tratam do tema “Corpo, Para Quê?” terá de ser alegre. Embora pareça paradoxal, faz todo o sentido falar de alegria e felicidade, sobretudo quando o corpo está a chegar ao final da sua vida terrena. Bom, resta-nos agora apoiar-nos em quem sabe e manifesta a verdade com ideias e exemplos de vida.

O único HOMEM em cuja palavra devemos acreditar totalmente é Jesus Cristo por ser também Deus. O seu Corpo esteve presente na terra algo mais de 30 anos, e alguns dos que conviveram com o Messias, há dois mil anos, deixaram testemunho escrito do que viram.

Refiro-me aos quatro evangelistas, particularmente a S. João, pois foi o discípulo preferido do Salvador e o último apóstolo a morrer. Por estas duas circunstâncias, S. João viu o Corpo de Cristo de quatro modos diferentes, tal como S. Pedro e S. Tiago. E uma dessas formas é ainda acessível a todas as pessoas de boa vontade.

A primeira forma de ver o Corpo de Cristo foi a normal no convívio entre pessoas. Os seus conterrâneos e contemporâneos viram-No, desde bebé até à sua morte, como um ser forte e saudável, capaz de suportar longas caminhadas e noites de vigília em oração e depois, na sua Paixão, atormentado de dores.

A segunda forma de O ver foi admirável e restrita apenas aos três apóstolos já referidos. Aconteceu no momento único da Transfiguração no monte Tabor, onde se manifestou. Manifestou-se cheio de glória na companhia de Moisés e Elias. Na terceira forma, já na presença dos doze apóstolos, antecipou o momento da Sua entrega e morte, afirmando e efetivando a Sua presença divina no pão e no vinho da Última Ceia.

É um mistério ao qual agora todos os fiéis acedem se quiserem. Depois da ressurreição, Jesus apareceu a várias pessoas, mas o seu corpo tinha algo de diferente. Mostrava-se com o Seu próprio corpo, sim, ainda com as chagas da crucifixão e capaz de alimentar-se.

Cremos que, no final do mundo, os nossos corpos voltarão à vida, quando se reunirem com as suas próprias almas e terão o aspecto e as propriedades do corpo ressuscitado de Jesus: serão perfeitos, com marcas da sua fidelidade a Deus, capazes de se deslocarem sem cansaço nem limitações de tempo ou espaço, terão luminosidade e capacidade de comunicar diretamente com Deus, com os Anjos e com todos os santos.

Porém, antes de chegar a esta plenitude de felicidade que a todos nos espera, teremos de passar por uma prova: o nosso corpo deve ser capaz de, em harmonia com a sua alma, viver segundo a vontade de seu Pai Deus.

Uma pessoa se destacou, no séc. XX, como exemplo de um “ginasta”, S. João Paulo II; ele soube desenvolver harmoniosamente a sua musculatura. Foi um homem saudável (de corpo forte, viril e belo) que soube manter-se em boa forma e usou os seus sentidos (vista, ouvido, gosto, tacto…) para se instruir, formar e santificar.

Desde jovem Papa até à morte, era possível reconhecer no seu corpo, nas expressões do seu rosto, no tom da sua voz, na firmeza ou tremura das suas mãos a sua determinação em cumprir a vontade de Deus.

Emagrecia pelos jejuns de cada Quaresma, cantava e falava bem, e com boa dicção, e sobreviveu aos ferimentos da pistola de Ali Agca. Mas aquele seu corpo, quando já doente e idoso, continuou a servir-lhe para amar a Deus e servir os homens.

O seu corpo, à imitação de Cristo, estava bem unido a uma alma que só queria fazer a vontade de Deus, seu Criador e seu Pai.

Ter corpo é ter a graça de possuir a maior oportunidade da vida. Basta saber usá-lo bem, respeitando-o e exigindo-lhe à medida do amor de que é capaz.



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