Espaço do Diário do Minho

Reflexão sobre o programa pastoral
23 Ago 2018
Silva Araújo

1. O programa da Arquidiocese para ano pastoral 2018/2019 convida a centrar a atenção na importância da comunidade e da missão. Ser esperança na perspetiva comunitária: tecer comunidades onde todos se sintam acolhidos.

Sugere que se siga um caminho de Páscoa salientando seis pontos: participação ativa e criativa, avaliação sobre a missão, servir e acolher a todos, conversão ao Evangelho, oração e vida espiritual, alargar os horizontes da missão.

2. Todos somos enviados a gerar comunidades mais vivas, mais fraternas, mais orgânicas e abertas; comunidades semeadoras de esperança.

A partir do Batismo todos somos líderes. A responsabilidade de uma comunidade cristã pertence a todos e não apenas ao padre ou a um grupo reduzido de leigos mais conscientes e mais comprometidos.

Todos, padres e leigos, somos Igreja. Todos temos o dever de colaborar no crescimento da Igreja. É mais que oportuno agir com a consciência de que os leigos não são cristãos de segunda nem criados do padre. São Igreja, como os clérigos e os religiosos/as.

3. Salienta o valor da liderança partilhada, que fortalece os leigos para participar no governo da paróquia, contribuindo valiosamente com as suas capacidades e perspetivas únicas, e retira pressão aos pastores, permitindo-lhes dedicar o tempo às atividades pastorais essenciais.

Isto pode exigir uma mudança de mentalidade e de comportamento quer de padres quer de leigos. Pode exigir um verdadeiro diálogo.

Que se dê espaço aos leigos, não sendo o padre um faz-tudo. Que os leigos tenham cada vez mais consciência do que é a sua missão na vida da Igreja, não deixando de fazer tudo, e só, o que lhes compete. Se é mau fechar-lhes a porta, não é bom que ultrapassem as suas competências.

Sem pretender ser exagerado nem generalizar, o que seria injusto, não sei se não estaremos a pagar a fatura da falta de uma verdadeira catequese de adultos. Dar espetáculo e evangelizar são coisas diferentes.

4. Em toda a ação da Igreja o centro é Jesus. É Jesus que amamos e servimos. É a mensagem de Jesus que, na tarefa de semeadores de esperança, damos a conhecer, com o testemunho de vida e com a palavra.

Antes de falar de Jesus é imperioso falar com Jesus. «Para todo o discípulo, é indispensável estar com o Mestre, escutá-Lo, aprender dEle, aprender sempre». E o programa alerta para a importância da leitura orante da Palavra de Deus, pessoal e comunitária; para a oração e para a adoração eucarística; para a vida espiritual, onde é fundamental a prática dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação.

Uma coisa é andar pela igreja e outra ser Igreja e construir Igreja. «O envolvimento em atividades paroquiais não significa necessariamente o crescimento da dimensão espiritual de uma pessoa». Pode acontecer de se andar pela igreja mas viver à margem da Igreja ou assumir comportamentos que não se coadunam com os ensinamentos da Igreja.

5. Salienta o programa a situação da juventude. «Entre as periferias, no contexto atual, situa-se a realidade da juventude. Nesse sentido, pretendemos, neste ano pastoral, dar prioridade à pastoral juvenil, implicar os jovens em projetos de formação e de solidariedade para que descubram a aventura de viver e de se encontrar consigo mesmos, com os outros e com Jesus Cristo, através de momentos de convívio, reflexão, celebração, oração e de contacto com a natureza».

Neste contexto assume particular relevo a pastoral familiar. O exemplo dos pais é fundamental. Há famílias onde se deixou de rezar. À preocupação de fazer grandes festas com a primeira comunhão nem sempre corresponde o cuidado de procurar que os meninos participem na Eucaristia dominical e prossigam com a formação cristã.

A ignorância religiosa é uma realidade. Em certos casos somos terra de missão. O programa refere-o: «Importa caminhar na missão aqui no nosso contexto minhoto, que já foi profundamente cristão, mas hoje sofre muitas outras experiências. O Minho necessita de se encontrar com o Evangelho». A ânsia de modernidade eliminou devoções tradicionais mas pouco ou nada se fez para as substituir.



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