Espaço do Diário do Minho

Não há sol nem sombra que pare o tempo
21 Ago 2018
Luís Martins

Decidi sobre o que escrever na última quarta-feira. Saí com tempo para apanhar o 95 (o autocarro da TUB que faz a ligação do Nova Arcada ao Continente) e cheguei ainda bem cedo a uma das paragens do mesmo. Fazia sol, quase escaldava, mas como os ponteiros do relógio tardavam em se posicionar no horário habitual, o da tabela, abriguei-me na sombra de uma árvore.

Os ponteiros acabariam por cumprir diligente e acertadamente a sua função, mas o meio de transporte que, desde há uns tempos a esta parte, privilegio para me deslocar entre os arredores da cidade e esta e vice-versa, teimou em não chegar, nem mesmo com algum atraso, sempre compreensível, embora menos aos domingos e feriados por causa do menor movimento de passageiros. Tive a sorte de ter ali, quase de encomenda, a protecção da tal sombra que suavizava a alta temperatura que se fazia sentir.

O relógio não se deixou impressionar com a estrela que nos traz o dia nem com o calor, mas também não reagiu à sombra, e pela altura em que a hora indicava haver o autocarro seguinte àquele para o qual me preparei, vislumbrei com satisfação a chegada de um. Finalmente, um! Tive a sensação naquele momento de que estaria a haver supressões de carreiras e logo tive a confirmação que sim, que havia greve às horas extraordinárias por parte dos senhores motoristas e essa seria a razão da alteração. Troquei impressões com um interessado sobre a situação e constatei que poderia ter sido mais grave.

É que na linha circulam em simultâneo quatro autocarros para cumprir o horário da carreira e na altura estariam a circular três. Se estivessem a circular só dois, que grande seca seria a minha e a dos demais clientes da empresa municipal! Por acaso, por acaso não, de facto, já tinha suspeitado de outras vezes, talvez de duas ou três, de que haveria supressão de autocarros naquela linha, mas não tinha tido disponibilidade mental para averiguar melhor o assunto.

Nunca é tarde para esclarecermos uma dúvida. A oportunidade e a disposição tinham chegado. Recordei, entretanto, que há muitos meses, na linha 45 também falharam várias vezes alguns autocarros e se falou que os trabalhadores da empresa estavam em greve. O meu interlocutor confirmou-me que a greve ainda era a mesma. A mesma? – perguntei.

Sim, a mesma, a empresa e a Câmara Municipal ainda não resolveram o problema! – foi a resposta que obtive. Será que a Edilidade vai deixar que o assunto se perpetue? Estou em crer que não, mas o tempo o dirá.

2. Bem, há outros assuntos que permanecem sem solução e que é preciso lembrar. O tempo corre. Ainda antes de férias estive com um amigo bem informado sobre as coisas da cidade que me elucidou sobre a razão do corte de uma via de circulação automóvel junto ao edifício da empresa Primavera. Fiquei a saber que se trata de um problema que tem a ver com o nível freático das águas subterrâneas que por ali se concentram. Se for esse o verdadeiro problema, e não tenho razões para duvidar, antes pelo contrário, não é de pé para a mão, como se costuma dizer, que aquele se resolve, mas há que fazer por isso.

Não se pode ficar apenas pelo discurso e adiar a solução por tempo indeterminado. O corte da via que ali permanece, há já vários meses, faz toda a diferença para quem faz uso da viatura automóvel que se vê na contingência de procurar percurso alternativo, sempre mais longo do que o que utilizava antes. Por isso, seria apropriado e oportuno que fosse dado esclarecimento sobre o estado da obra – que se não vê! –, nomeadamente, sobre a perspectiva de por quanto mais tempo se prolongará a situação. Neste caso, parece que começa a ser tarde para o esclarecimento que julgo devido.

3. Não basta ter boas intenções. É preciso agir e tempestivamente. O caso do equipamento avariado por demasiado tempo na rede viária, da responsabilidade da Câmara Municipal, pode ter estado na origem de alguns acidentes recentes na cidade. A prevenção não pode ficar só no discurso.

A estratégia de mobilidade prometida e devida precisa de ser efectiva. A sombra, que abunda mais nos serviços da Edilidade do que na rua, pode ajudar, embora não interfira com os ponteiros do relógio. O tempo é implacável. Não se atrasa, está sempre a contar.



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