Espaço do Diário do Minho

Ano missionário
16 Ago 2018
Silva Araújo

1.Por proposta da Conferência Episcopal Portuguesa, expressa na Nota Pastoral «Todos, Tudo e Sempre em Missão», de 20 de maio, celebramos, entre outubro de 2018 e outubro de 2019, um ano missionário.

É a resposta a uma decisão do Papa Francisco que, por motivo do centenário da Carta Apostólica Maximum Illud, de 30 de setembro de 1919, declarou o mês de outubro de 2019 Mês Missionário Extraordinário.

2. Não constitui novidade para um cristão minimamente esclarecido a vocação missionária da Igreja. O «ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos 16, 15) é uma ordem dada a todos os discípulos de Cristo de todos os tempos. Uma Igreja que não é missionária não é a Igreja de Jesus Cristo. Cada evangelizado deve ser um evangelizador, lembrou Paulo VI na Evangelii Nuntiandi.

Evangelizador pelo testemunho de vida e pela palavra. Não só pela palavra, que é o mais fácil mas o que menos arrasta. Evangelizador através dos meios postos ao seu alcance, que hoje incluem as chamadas redes sociais.

3. Gerou-se a ideia de que ser missionário é ir para longes terras anunciar o Evangelho. Também é, mas não só. O limitado espaço em que vivemos é, hoje, verdadeira terra de missão. «Hoje, cada terra e cada dimensão humana são terra de missão à espera do anúncio do Evangelho», lembra o Episcopado no número 5 da nota pastoral.

Há muitos compatriotas nossos desconhecedores do núcleo da mensagem cristã. A ignorância religiosa de muitos batizados é um facto.

A igreja em saída, de que gosta muito de falar o Papa Francisco; a ida às periferias também pode significar a ida ao encontro de muitos vizinhos nossos, para quem Jesus passou a ser um desconhecido.

Tenho ainda outras ovelhas, disse Jesus (João 10, 16). Perante uma igreja repleta o pastor deve, convictamente, perguntar-se: quantas vezes seria necessário encher esta igreja se quantos devem escutar a Palavra de Deus e frequentar os sacramentos o fizessem?

Mas a Palavra de Deus e o convite a uma vivência autenticamente cristã também são para eles.

«É necessário, lê-se no número 2 da referida Nota, passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária».

4. Evangelizar é dever de todos. Padres e leigos, jovens e menos jovens. «É tarefa diária de cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, porque o anúncio do Evangelho, Jesus Cristo, é o anúncio essencial, o mais belo, o mais importante, o mais atraente e, ao mesmo tempo, o mais necessário», lê-se no número 5 da Nota Pastoral, citando o Papa Francisco.

«Apelamos uma vez mais, diz-se no número 8, para que em todas as nossas dioceses surjam Centros Missionários Diocesanos (CMD) e Grupos Missionários Paroquiais (GMP), laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização que, em consonância com as Obras Missionárias Pontifícias e os Centros de animação missionária dos Institutos Missionários, possam fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã, que nos animem a ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho, numa missão total que deve envolver Todos, Tudo e Sempre».

5. Evangelizar, mas não de qualquer maneira. Que o missionário seja uma pessoa alegre, «porque sem alegria não se atrai ninguém» (n.º 3 da Nota Pastoral).

«À imagem do Senhor Jesus, diz o número 9, o missionário não se irrita, não desanima, não despreza nem trata com dureza… mas a todos procura atrair com bondade até aos braços de Cristo, o Bom Pastor». (Maximum Illud).

«Paulo VI interpela-nos a conservar o fervor do espírito e a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas… É que o mundo do nosso tempo que procura, ora na angústia, ora com esperança, quer receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e desencorajados, impacientes ou ansiosos, mas sim de discípulos missionários do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo, e são aqueles que aceitaram arriscar a sua própria vida para que o reino seja anunciado e a Igreja seja implantada no meio do mundo”.



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