Espaço do Diário do Minho

A eterna autonomia do ôntico ser da natureza humana
15 Ago 2018
Benjamim Araújo

No artigo 313, “Conflitos entre religiões, um disparate”, a minha atenção deixou-se embeber, como a espuma, com todo o apaixonado coração, a mente e ação, para a definição, distinção e unicidade da religião ao seguir a autoridade e o entusiasmo do ôntico ser humano, como a voz única e universal a toda a humanidade. 

A religião é tida como uma reunião, uma congregação, uma comunidade de fiéis, lançada no caminho da descoberta e do amor a Deus; lançada no estabelecimento concreto dos relacionamentos da inteligente e emotiva pessoa consigo mesma, com o outro, com o mundo e com Jesus, a fim de seguir os verdadeiros e intemporais corredores do ser da ôntica natureza humana.

Por tais corredores, por tais caminhos, trilham o afeto, a mente e a ação de toda a verdadeira e objetiva humanização no seio de Deus. Esta religião universal será uma religião natural, antropológica e transcendental, distinta da religião Sagrada e Transcendente, que tem Jesus Cristo como o seu autêntico, único e sobrenatural profeta.

Paralelamente a esta definição e distinção, há um aspeto não menos importante: o do seu natural fundamento. Tal fundamento brota, de forma imanente, do ser da nossa ôntica e natural natureza.

Este ser é uno, transcendental e relacional, caraterísticas tidas como os verdadeiros corredores que tornam os caminhos existenciais, através da sua superação, congruentes com os imperativos que emanam do nosso ôntico ser.

Com esta verdadeira e objetiva afirmação, pretende-se remover todas as atitudes de separação, de isolamento e de rotura entre as estruturas da nossa vida existencial e a nossa inabalável vida transcendental.

Assim se pode acabar com a afirmação do ateísmo, categórica para muitos indivíduos que, apoiados nas roturas das nossas instáveis estruturas existenciais (conhecimentos, sentimentos, ações, emoções e motivações), advogam, para si, autoritariamente, a autonomia, a liberdade e a responsabilidade que são inerentes ao ôntico ser humano.

Nota da Direção: Este artigo foi enviado para o Diário do Minho pelos familiares do Dr. Benjamim Araújo antes do seu falecimento. Publicamo-lo com autorização da família.



Mais de Benjamim Araújo

BENJAMIM ARAÚJO - 19 Set 2018

A quinta  essência do cristianismo, no dizer do distinto teólogo, Carlos Nuno Vaz, fazendo-se eco de alguns Bispos, entre eles o Bispo de Calahorra, Dom Carlos Escrivano, “é a vivência da dor”. Afirma o Bispo: “Sentir a dor com os que sentem dor é a quinta essência do Cristianismo. Esquecer-se de si e descobrir o […]

Benjamim Araújo - 29 Ago 2018

Educar o indivíduo, a pessoa, a sociedade, a Igreja, a economia, a política, a própria educação… na observância dos imperativos transcendentais, eis uma nova e fecunda relação para os Parlamentos. Mas afinal o que é o Parlamento? De um modo simples e claro, vou colar, com cola-tudo, esta chancela: o Parlamento é um corpo ou […]

Benjamim Araújo - 22 Ago 2018

Voltando mais uma vez à eutanásia, vou começar por aquilo que, para nós, é mais simples e mais claro. O simples e o claro é-nos oferecido de bandeja, através da etimologia da palavra eutanásia. A eutanásia é constituída, na sua composição, por dois elementos: o “eu ou o bem” e a palavra grega “thanatos” que […]


Scroll Up