Espaço do Diário do Minho

Uma luz ao fundo do túnel
13 Ago 2018
Maria Helena Paes

Podemos fazer tudo com Amor. É o mais importante. Torna-se importante quando surge um túnel na nossa vida, focar-se no que está no outro lado, porque o túnel um dia terminará, e a vida continuará… O tempo que passamos no túnel constitui um local escuro, mas temos de manter a fé de que, quando sairmos do lado escuro, estaremos na luz outra vez. Logo, temos de nos manter positivos. Como vamos conseguir ultrapassar esse momento e focarmo-nos num resultado positivo? Às vezes o túnel é demasiado longo, outras vezes mais curto.

Mas com o amor e a solidariedade da família, dos amigos, tudo se torna mais fácil”. Foi este o mote para escrever este artigo, referindo algumas palavras de um amigo de uns familiares, que vive no estrangeiro com a família.

Há um ano, em situação idêntica, existia um problema de saúde grave. Um tumor no cérebro que teria de ser removido. A incerteza sobre a gravidade do caso e sobre o futuro desta família pairava no ar.

A preocupação era enorme. Durante algum tempo, a pessoa afetada pelo problema, narrou a sua grave situação. A operação a que iria ser submetido era de um grande risco. Claro que todos procurámos incutir-lhe confiança no futuro, desdramatizar a situação, mas família que é família não deixa de se preocupar nos bons e em particular nos maus momentos. Rezou-se muito por ele e pela família.

Acompanhou-se a evolução dos acontecimentos à distância. Felizmente foi operado, retirado o tumor e tudo correu pelo melhor apesar de um pós-operatório complicado.

E precisamente um ano depois chega de novo a Portugal para gozar, com a família, umas merecidas férias já a trabalhar, mas ainda com algumas limitações. Chegaram em dia de festa da família e amigos mais chegados, já que era o dia de aniversário do meu sobrinho, que completava os sete anos de idade. Houve um grande espírito de entreajuda, de solidariedade, onde todos colaboraram, uma vez que era dia de trabalho dos donos da casa.

No sentido de facilitar a sua vida, os amigos trouxeram uma especialidade sua, ou seja, bolos e doces de colher, ajudaram a preparar o jantar, as entradas, as bebidas… A dona de casa, na véspera tinha colocado a mesa e deixado tudo orientado. E num ambiente de alegria e boa disposição cantaram-se os parabéns ao membro mais novo da família, que, feliz, a todos agradeceu. Antes de saírem, todos ajudaram de modo a que a casa ficasse limpa e as louças organizadas. A dona de casa feliz referia que, com o apoio de todos, tudo se torna tão mais fácil.

Por ironia do destino no dia seguinte, fomos dar um passeio à Ericeira onde, precisamente há um ano, não se vislumbrava a luz ao fundo do túnel. Na realidade, a vida constitui-se atravessando toda uma série de barreiras, deixando nas mãos de Deus e de Sua Mãe Maria Santíssima, as nossas súplicas e os pedidos de ajuda. Deus é Pai e não abandona os seus filhos num momento mais difícil. Também o apoio da família se torna imprescindível nestes difíceis momentos.

Durante o almoço, felizes não só com o reencontro, mas também pelo modo como tinha sido ultrapassado o problema, o nosso amigo referiu as palavras com as quais começo este artigo. Por outro lado, veio-me ao pensamento São João Paulo II, exemplo de santidade que, durante muitos anos, lutou contra os males de uma saúde fragilizada, mas que lutou até ao fim, deixando tudo nas mãos de Deus e que referiu: “Convido a ‘olhar’ o futuro carregado de incógnitas, mas também de promessas. Incógnitas e promessas que apelam à nossa imaginação e criatividade estimulando também a nossa responsabilidade de indicar o ‘caminho’ proclamar a ‘verdade’ e comunicar ‘a vida’ – que é Ele próprio”. O homem não pode viver sem amor. Sem amor, torna-se um ser incompreensível para si mesmo.

A família é o santuário da vida. De facto, ela é sagrada. É o lugar onde a vida pode ser convenientemente acolhida e protegida e se pode desenvolver segundo as exigências de um crescimento humano autêntico. A família constitui a sede da cultura da vida.

Termino este artigo, vivenciado num ambiente positivo e revigorante em que recordei uma frase que alguém escreveu: “O Céu é para aqueles que sabem ser felizes na Terra”.



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