Espaço do Diário do Minho

O poder da unicidade ôntica
18 Jul 2018
Benjamim Araújo

Acabei de ler, com toda a satisfação, no “Diário do Minho” de 25/4/18, a seguinte afirmação de António Guterres, ilustre Secretário-Geral das “Nações Unidas: “Tudo são indicadores de que é necessário mais unidade e valor, para aliviar os medos das pessoas que servimos, para pôr o mundo num caminho melhor e para estabelecer as bases de uma paz sustentável e do desenvolvimento”.

António Guterres recordou-nos que, no presente, há mais países a sofrer conflitos violentos que em outra altura nas últimas três décadas. Destacou o acréscimo de violações horríveis dos direitos humanos e denunciou o incremento do nacionalismo, do racismo e da xenofobia. Focou o aumento das desigualdades e a discriminação que sofrem mulheres e meninas.

António Guterres, o grande observador, evidenciou a existência instável de factos concretos, responsabilizando-os pela falta de unidade e de valores. Tudo me leva a crer que o seu sensível coração e a sua humana e dilatada observação, andam um pouco afastados da realidade ôntica a fim de justificar e progressivamente responsabilizar a existência de tais factos concretos.

A falta de unidade e de valores são realmente causa da instabilidade existente, mas tanto uma como a outra, exigem a sua superação no uno e na transcendentalidade da ôntica natureza humana.

A natureza humana, quer na sua existencialidade quer na sua onticidade, evidencia-se através dos seus corredores. Os corredores existenciais, carentes de autonomia, de liberdade e de responsabilidade, manifestam-se através das suas estruturas bio psíquicas, concretamente falando, através dos conhecimentos biológicos e racionais (tais como as representações). Os corredores ônticos, dotados de autonomia, liberdade e responsabilidade, manifestam-se através da unicidade ôntica (fundamento da unidade, da união e da conexão); manifestam-se através da transcendentalidade ( com a sua escancarada abertura para o Transcendente, através das superações); manifestam-se através das suas concretas relações universais de Bem, Justiça, Compreensão, Paz, Amor…

Os mentores políticos, defendem e aconselham, através da sua pessoa (emissária afetiva e consciente do ôntico ser humano), a união, a unidade, a integração e a conexão dentro de cada família política, expulsando dela todo e qualquer conflito, que tente enevoar os seus objetivos.

Entre todas as famílias políticas, divergentes entre si, como conseguir a união, a unidade, a integração e a sua conexão? A resposta fervilha no ôntico ser humano, que impõe, imperativamente, a sua unicidade às famílias políticas de todo o mundo, exigindo de todas a sua congruência com os corredores ônticos, os caminhos humanos.

Que o homem de bem, que é António Guterres, integrando-se na realidade ôntica, consiga a união que o mundo necessita, para que reine a harmonia e o amor entre os povos.



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