Espaço do Diário do Minho

O fim último da educação e os constantes desvios perpetrados pela ação humana
12 Jul 2018
Artur Gonçalves Fernandes

 O fenómeno educativo é algo que pertence à própria essência humana e, por isso, o seu objetivo geral tem que estar ligado ao fim último do homem. Neste contexto, a educação diz respeito, de um modo especial, às  faculdades superiores do ser humano. Por esta razão, o aperfeiçoamento da inteligência e da vontade deve ser o fim da educação enquanto tal. O entendimento só é perfeito quando possui a verdade; se a não possuir, fica deficitário. Por seu turno, a vontade é perfeita quando está na posse do bem, quando o torna real, ou seja, o realiza. A mentira, a falsidade, o engano, a intrujice, a impostura, o logro e a aldrabice nunca enriquecem a inteligência humana. O mal, o erro, a desonestidade, a desmoralização, a deslealdade, a devassidão moral, a fraude, o hedonismo, a libertinagem e a depravação dos costumes nunca contribuem para a perícia e o enobrecimento da vontade. Assim sendo, na educação não há lugar para efemeridades nem para impudências mesquinhas. A transitoriedade do mundo não pode ser um fim último da educação e, então, todos aqueles sistemas educativos que descuram a transcendência ferem a própria essência humana que nunca se satisfaz com o desencanto nem com a vacuidade da vida pessoal e social. Os valores meramente terrenos acabarão por se evaporar ingloriamente. O aperfeiçoamento das nossas faculdades só se alcança numa luta  contínua e persistente, vencendo todos os obstáculos e ofertas iníquas que o mundo agressivo e desconexo nos oferece e com que nos cerca por todos os lados. O enriquecimento da nossa inteligência e da nossa vontade apenas se conseguirá de um modo paulatino, ao longo da vida, até à obtenção da perfeição plena que está ao alcance de todos. A aquisição gradual das perfeições parcelares vai formando uma disposição integral no homem, criando os bons hábitos e os bons comportamentos. São estes valores  que a educação deve ajudar a criar e a solidificar. A aprendizagem que forma defeitos e aberrações no homem é indigna de se chamar educação. Em suma, a educação, ao perfectibilizar as faculdades humanas, aperfeiçoa homem no seu todo. O processo educativo deve, pois, perseguir o objetivo último que é o desenvolvimento integral da pessoa humana. A educação que é ministrada atualmente numa grande parte das famílias, das escolas e das sociedades sofre muito a influência de um modernismo mórbido que tem  adulterado a formação do homem na sua postura diária e nas suas atividades sociais. Este fenómeno descaraterizador atingiu muitas expressões humanas,  inclusive as artísticas. As referidas evoluções artísticas também já se vêm manifestando nalgumas obras de arte sacra. Veem-se, em certos templos, crucifixos que não exprimem, lá muito bem, nem a figura de Jesus Cristo, nem os passos essenciais da Sua via dolorosa. Julgo que a educação moderna, altamente permissiva e desajustada, vai descaraterizando certos valores universais que os antepassados nos transmitiram com muito amor, sabedoria e lealdade. 



Mais de Artur Gonçalves Fernandes

Artur Gonçalves Fernandes - 8 Nov 2018

A educação é um aperfeiçoamento voluntário, mas constante e racional que não pode esquecer os seus elementos integrantes e os seus grandes objetivos. Qualquer sistema educativo tem que ter, como base filosófica, a defesa do verdadeiro sentido da vida humana. Sem alunos predispostos a adquirir a sua formação, o ato educativo não terá o sucesso […]

Artur Gonçalves Fernandes - 1 Nov 2018

O homem sempre lutou pela defesa daquela caraterística intrínseca da sua natureza que mais adora. Trata-se da liberdade. Nada há de mais relevante na vida do homem do que o direito à sua liberdade da qual sempre quis usufruir e de que nunca quis abdicar. Pode-se ser sempre pobre, mas ninguém quer perder a sua […]

Artur Gonçalves Fernandes - 25 Out 2018

O homem do nosso tempo, nomeadamente nas sociedades mais evoluídas, julga-se auto-suficiente e livre de qualquer dependência em relação a outrem. E o que é mais paradoxal, é que ele pensa que pode dispensar a sua dimensão religiosa. Tem dinheiro, possui um património abonado e usufrui de um estatuto social que lhe proporciona uma situação […]


Scroll Up