Espaço do Diário do Minho

A política como fonte geradora de dissonâncias sociais
13 Jun 2018
BENJAMIM ARAÚJO

Os políticos têm de ter, por exigência transcendental, um dignificante e nobre objetivo: almejar, através da instituição de relações transcendentais de bem universal, o progresso bio psíquico (humanístico) em todos os níveis do campo social. De uma maneira geral, mas um pouco irrefletida, exigimos, apenas, ao nível existencial, a superação de todas as vertentes que nos amesquinham e nos tornam objetos dependentes das nossas subjetivas necessidades, relativas emoções, frágeis conhecimentos, motivações, determinações, sentimentos, prestígios e domínios. E o rosário de falsas autonomias, liberdades e responsabilidades é como um ténue regato de águas turvas, que correm, indiscriminadamente, por todo o terreno do nosso viver existencial, abafando e melando as ervas verdejantes e prometedoras de uma verdadeira vida dignificante e acariciadora de bens transcendentes ( a união amorosa com Deus) e de bens transcendentais (tais como a superação de todos os falsos bens).

Qual é a nascente eterna e inesgotável de bens transcendentais e transcendentes? É aquela fonte que os políticos muitas vezes ignoram, uma vez integrados em pérfidos bens existenciais, ignorando, portanto, as superações. Essa fonte, ignorada por muitos políticos, é o seu ôntico e natural ser, simples e eterno, aberto e acolhedor ao transcendente, o ôntico ser de Deus.

Todo o afã existencial da política, como política, é congregar à sua volta todo o social e dominá-lo, através das promessas capciosas das suas vivências, paixões, interesses, motivos e emoções. Mas o político esquece-se, muitas vezes, de unir e conectar todo o social na congruência do seu ôntico e natural ser, ocasionando a diversidade dos partidos. Desta diversidade, longe de haver união, surgem, como consequência, as dissonâncias partidárias, o que implica o exercício de forças conflituosas entre os seus mentores.

Acabei de ler, de meditar e saborear, um artigo do Diário do Minho escrito pelas prudentes, competentes e esclarecidas mãos do jornalista António S. Couto – “Os famosos que negam a existência de Deus” – O artigo é excelente. A todos estes e outros famosos, eu os intitularia de ignorantes do seu profundo ser, a sua ôntica e natural natureza. São ignorantes das suas dimensões de transcendentalidade. São ignorantes das imanentes relações favoráveis a todo o relacionamento humanístico da pessoa consigo mesma, com o outro, com o mundo e, em afeto e verdade, com Deus.

Todo o ser humano e, portanto, todo o político, por profundo imperativo da sua vida ôntica, tem o dever de cultivar, em todos os níveis, a sua autenticidade.



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