Espaço do Diário do Minho

Eutanásia: e agora?
8 Jun 2018
Carlos Aguiar Gomes

Em recente manifesto, a SFAP – Société Française d’Accompagnement et de Soins Palliatifs – (www.sfap.org ) divulgou um texto que intitulou «Cuidar e acompanhar SIM. Dar a morte NÃO» que vale a pena ler, sobretudo agora que a campanha pró-liberalização da Eutanásia vai redobrar de esforços e de presença nos media.

Este manifesto começava citando Georges Orwell, escritor bem conhecido pelos vários títulos que publicou e foram êxito estrondoso. Eis a frase que quero destacar:

«Quando me apresentam algo como um progresso, pergunto-me logo se isso torna mais humano ou menos humano».

O recente debate no Parlamento português sobre a legalização da Eutanásia mostrou, sem dúvidas, que o pretendido era, em nome da humanização, ajudar e apoiar a desumanização da humanidade, em nome do progresso civilizacional! O que se pretende é ajudar e apoiar a matar ou seja o fim de um ser humano.

Os senhores deputados não estão preocupados com o cuidar e acompanhar as pessoas em “ fim de linha”. Minimamente. E é lamentável. Gostaria de ver os deputados ocupados e preocupados em resolver os cuidados paliativos acessíveis a todos e a todos de todo o país.

Mas não. Preferem gastar o seu tempo pago generosamente por nós, a congeminar o modo mais eficaz de eliminar os homens e mulheres que, na maioria das situações, estão à deriva sem uma mão que seja um leme no navio da vida e que faça rumar este a porto seguro com tranquilidade.

…Mas não se fique tranquilo com aquele resultado!

Creio firmemente que a partir de agora a campanha dos defensores da Eutanásia, eufemisticamente chamada de «morte digna e assistida», vai redobrar. Temos, pois de estar vigilantes, activos e interventivos. A pressão exercida nos media sobre os ingénuos, pouco informados e os «umbiguistas» vai ser muito forte. Não tenhamos dúvidas.

O terreno está pronto para a sua sementeira: o descartável caracteriza a paisagem humana deste tempo.

Há palavras e conceitos que temos de difundir com coerência e constância, sem medo. Temos de falar de CUIDADOS PALIATIVOS; de DIGNIDADE DE TODA A PESSOA HUMANA, sem excepção alguma; ACOMPANHAMENTO de todos os sofredores; de CUIDADORES e seus direitos que não estão dignamente definidos; de AMOR desinteressado e próximo; de GRATIDÃO pelo dom da vida e por aqueles que a acolheram; que MATAR não é a solução humana pois conflitua com o direito natural à vida; que a EUTANÁSIA é matar; impõe-se caminhos de promoção da CULTURA DA VIDA e do AMOR; é vital contribuir para a denúncia da CULTURA DA MORTE vigente. E temos a SOLIDARIEDADE intra-familiar e inter-familiar a viver e promover!

Teremos de ser, no fim de contas, muito MAIS EXIGENTES com os candidatos a deputados em futuras eleições e exigir-lhes que se definam claramente sobre os chamados “Princípios Inegociáveis” dos quais o primeiro e estruturante da vida humana, é o DIREITO À VIDA desde a concepção até à MORTE NATURAL.

(O autor não aceita o chamado AO)



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