Espaço do Diário do Minho

As dissonâncias conflituosas entre a luz e as trevas
6 Jun 2018
BENJAMIM ARAÚJO

Uma das vias para abafar e diluir as dissonâncias conflituosas entre a fonte da luz e a fonte das trevas é a auto adesão, destemida e conscienciosa, da pessoa (a emissária existencial do ôntico e natural ser) à energia da solidariedade, bem clara na expressão “Um por todos e todos por um”. Subjacente a esta expressão, cacareja, altiva, a unidade, saída da união entre a pluralidade, da sua conexão e congruência com a identidade profunda, alicerçada no uno transcendental do nosso ôntico e natural ser.

Uma outra via, não menos eficiente, é a adesão destemida e conscienciosa da pessoa, a emissária existencial do ôntico ser, à transcendentalidade do nosso ôntico e natural ser humano.

Há dois aspetos a evidenciar nesta ramificação: a sua imperativa abertura e aceitação do Transcendente (Deus, o omnipotente, o sábio, a paz, o amor) e a sua capacidade de superação das trevas em função da sua autonomia, liberdade e responsabilidade.

Queria fazer, aqui, um apelo à união, à unidade e à conexão transcendental de toda e qualquer verídica religião, com o relacionamento transcendental da pessoa humana com o ôntico Ser Divino, com o bem universal. A religião é inerente e impõe-se, terminantemente, a todo o homem, para lá da sua instável e concreta existência. Negá-la ou deslocá-la corresponde à ousadia atrevida de matar a energia vital do seu auto conhecimento, auto afeto e auto determinação para Deus, para o mundo, para o social, para si mesmo.

Não será excessivo evidenciar, concretamente, as duas fontes, entre si conflituosas e geradoras de dissonâncias entre a luz e as trevas. A fonte da luz, da verdade, da vida, da paz, do amor (…) emana, automaticamente, do nosso ôntico e natural ser, por Deus criado à sua imagem e semelhança. É a fonte de todo o justo sentido da nossa vida existencial, liberta de todo o mal. A fonte das trevas emana, naturalmente, da instabilidade, da contingência da vida existencial e do seu subjetivismo e relativismo, que orgulhosamente, dançam o vira, nas separações, isolamentos e roturas com a ôntica e natural fonte humana e na subordinação da pessoa à instrumentalização, evidenciada na autonomia mentirosa das necessidades, desejos, aspirações motivações, emoções estúpidas e determinações desajustadas das relações de bem universal, com toda a dinâmica existencial.



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