Espaço do Diário do Minho

Comunicar
25 Mai 2018
Carlos Dias

Apesar de existirem, com a era digital, muitas formas de comunicar, a comunicação “cara a cara” continua a ser aquela que acarreta mais dificuldade e mais leitura de muita informação “oculta”.

Essencialmente, porque o que se diz (palavras), como se diz (tom de voz) e a forma como se diz (a expressão corporal) acarretam muita mais informação do que o discurso e, faz com que o comunicador corra mais riscos, pois podem colocar a nú as fragilidades de quem quer passar a mensagem.

Comunicar, será sempre uma arte que nem toda a gente domina, porque há sempre muito mais do que palavras.

Contudo, hoje, todos os líderes devem munir-se de alguns instrumentos ou estratégias para poderem comunicar com eficácia. O pilar base de uma boa comunicação é o respeito. Especialmente o respeito por quem recebe a mensagem.

Mas, toda a comunicação deve ter uma base: a consequência/resultado. A comunicação é definitivamente uma ação-reação, pelo que devemos, sempre, medir bem as palavras, as feições e a forma como se profere a mensagem.

Há gestos, momentos, feições, expressões, que podem dizer mais que muitas palavras. E aqui há dois exemplos antagónicos que, recentemente, são o reflexo disto mesmo: Abel Ferreira, treinador do futebol do SC Braga, e Bruno Carvalho, presidente do Sporting CP. O primeiro, pela forma como, sempre, respeitou o seu grupo de trabalho.

A forma intensa, apaixonada, respeitosa, como sempre se referiu ao seu staff e aos jogadores que dirige, e com isto conseguiu, de forma significativa, aumentar os seus índices de rendimento e melhorar as prestações individuais e coletivas.

Por seu turno, o polémico presidente do clube lisboeta, através das suas comunicações no facebook, das entrevistas e das conferências de imprensa, manifestou, muitas vezes, uma agressividade desmedida, conflitualidade e desrespeito, que causaram reações deveras negativas, rejeições e fraca produtividade, por parte de toda a equipa de futebol do seu clube.

A forma desgovernada, sem estratégia, à mercê da emoção, fez com que o presidente do SCP cometesse muitos erros na gestão comunicacional, com os sócios, mas, principalmente, com toda a equipa de futebol do clube que dirige. 

É óbvio que as paixões e os corações estão mais perto da boca do que a razão. A mim não me preocupa que o comum dos adeptos faça críticas, muitas vezes, que sejam proferidas algumas expressões ou observações absurdas, porque a emoção nem os deixa refletir.

Mas, de facto, preocupa-me que alguns elementos que fazem parte da estrutura dos clubes, que por isso têm responsabilidade acrescida, comentem, critiquem e manifestem publicamente opinião sobre a competência dos ativos das próprias equipas.

A liderança só é verdadeiramente eficaz se existir por parte de toda a equipa que dirige um forte sentimento comum e uma só linha de pensamento e, principalmente, de ação.

Um presidente de um qualquer clube é uma peça importante, crucial e fundamental no sistema desportivo, mas é e será sempre extremamente frágil se não for estruturada uma linha de ação conjunta e estratégica com todos os membros que dirige.

É o resultado do discurso que lhe confere o valor e o impacto que se deseja, ou seja, as palavras têm um poder enorme para potenciar, emocionar e até inspirar (ou não…) quem as ouve ou as lê.



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