Espaço do Diário do Minho

Aposta ganha
11 Mai 2018
Carlos Dias

Apesar de existirem algumas experiências, em muitas modalidades, em criar as melhores condições de realização das atividades desportivas, quer para treinos, quer para competições, ainda existe um longo caminho a percorrer, para criar os sistemas mais eficazes de apoio aos atletas, aos treinadores e às estruturas de apoio aos processos desportivos.

Estas dificuldades, por exemplo de conciliação dos estudos com os treinos, estágios e jogos, fazem com que muitos atletas optem por emigrar para outras paragens, onde esses sistemas são conduzidos de forma eficiente, elevam o nível dos praticantes para a excelência desportiva e os encaminham para os grandes palcos.

Ao longo dos últimos anos, em Portugal temos tido algumas experiências, a maioria de forma esporádica, desconcertada, algumas até descabidas, em que as equipas/atletas são colocados em estágio permanente, encerrados em determinados locais, estudam em escolas próximas, mas, de facto, depois, não existe qualquer apoio efetivo, não existe um acompanhamento eficaz aos processos, para além daquilo que é o processo desportivo, propriamente dito.

É melhor isto que nada? Claro! Contudo, para chegar a índices de excelência desportiva não chega fazer experiências, é preciso muito mais que isso, é necessário investir, organizar e estruturar processos de apoio médico, psicológico, alimentar, social, académico e logístico, que faça com que o sacrifício seja recompensado.

Existem, felizmente, alguns exemplos de sucesso, de atletas que optaram por emigrar, e conseguiram entrar em sistemas de preparação que lhes permitiram cumprir objetivos ambiciosos. João Sousa e Nuno Borges são dois desses casos, ambos na modalidade do ténis, decidiram emigrar e, hoje, são referências na modalidade.

João Sousa emigrou para Espanha, aos 15 anos, e, ao fim de tanto sacrifício, esta semana venceu o Estoril Open. Está farto de bater recordes, e é sem margem para dúvida, o melhor tenista português de sempre.

O sacrifício de sair das saias da família, o sacrifício dos pais em pedir um empréstimo bancário para que o seu filho pudesse cumprir um sonho, o sacrifício de vencer tantos degraus na sua carreira, foram compensados com uma conquista muito dignificante, honrosa e de grande motivo de orgulho para todos os portugueses.

O atleta vimaranense, conhecido pelo “O Conquistador”, demonstrou uma enorme capacidade técnica e volitiva, que lhe permitiu vencer o maior torneio internacional em Portugal. Foi deveras emocionante ver a final, em particular os últimos pontos do jogo, essencialmente pela forma como o fez, como comemorou e como manifestou o seu orgulho.

Foi gigantesco e histórico. Outro atleta, mais novo, de apenas vinte e um anos, tem traçado um trajeto brilhante nos Estados Unidos, no ténis e nos estudos, nos últimos três anos. O atleta maiato, Nuno Borges, tem no exigente desporto universitário americano, cumprido todos os objetivos que lhe propuseram.

Medalha de bronze nas Universíadas, em Taipé; Eleito, pelo segundo ano consecutivo, o melhor atleta do ano da Mississipi State University, entre todas as modalidades; Eleito o melhor aluno/desportista da sua Universidade; Chegou ao top do ranking em pares e foi segundo do ranking individual, do campeonato nacional universitário americano.

Todos estes passos fazem crer que o trajeto do atleta maiato, poderá ser ainda mais brilhante nos estudos e no ténis e que podem vir a ser uma aposta ganha.

Uma coisa é certa, a conciliação é possível, apesar de muito exigente, mas é possível retirar algumas ilações destes exemplos e melhorar, a consistência e eficácia, de algumas das experiências que vão sendo feitas neste nosso lindíssimo e simpático país.



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